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11º Domingo do Tempo Comum

 

Ano A: – Deus chama e envia

homilias dominicais_A presença de Deus no mundo e sua vontade de comunicar sua vida e salvação é sentida através de pessoas que Ele chama e envia para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.

Na liturgia de hoje, no livro do Êxodo, o Deus da Aliança elege um Povo e tem com ele laços de familiaridade e lhe confia missão sacerdotal, para ser o Povo reservado a serviço de Javé, um sinal de Deus no meio das outras nações.
Deus fala por meio de Moisés: Vistes o que Eu fiz ao Egito, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa. = A aliança é um pacto entre duas partes, com direitos e deveres. A iniciativa da aliança é de Deus que convoca Moisés para a montanha e propõe uma aliança à casa de Jacó, com laços de familiaridade. Essa aliança envolve toda a história do Povo: passado, presente e futuro.
O passado se refere à libertação da escravidão do Egito, à presença amorosa de Deus na marcha pelo deserto que os transporta sobre asas de águia, e a comunhão com o próprio Deus que os traz a Si.
O presente se refere ao convite de Javé a Israel aceitar ter laços de familiaridade. Para isso, Deus pede que escute a sua voz e guarde a aliança tendo os mandamentos de Deus como seus deveres.
O futuro, se Israel aceitar a aliança, é que Deus o tornará o Povo eleito, reino de sacerdotes e nação santa entre todos os povos, em uma relação única; reino de sacerdotes com a missão de testemunhar Deus e torná-l’O presente no mundo; nação santa, Povo separado do outros povos para estar ao serviço de Javé.
A aliança é parte do projeto de salvação que Deus. Israel tem um papel único: a eleição não é um privilégio, mas um serviço, que se concretiza numa missão profética: ser um sinal vivo de Deus no mundo.
O Êxodo, além da libertação do povo da escravidão para a liberdade, é compromisso com Deus e com os homens, de ser sinal de Deus, ser seu sacerdote no meio do mundo.
Hoje em dia não é fácil reconhecer a presença e o zelo de Deus com a humanidade; fala-se até da morte de Deus, como se Deus estivesse ausente. Este texto revela um Deus que caminha conosco, com laços de familiaridade, com propostas de salvação, libertação e vida definitiva. É Deus que está ausente, ou somos nós que buscamos outros deuses, no orgulho e auto-suficiência sem Deus?
Ao Povo da Aliança cabe ouvir a voz de Deus e guardar a aliança. Ouvir a voz de Deus significa escutar suas propostas, acolhê-las no coração e transformá-las em gestos na vida diária; guardar a aliança significa comprometer-se com as propostas de Deus e viver os mandamentos. No dia do batismo, eu entrei no Povo de Deus e assumi o compromisso de testemunhar Deus e o seu projeto de salvação diante do mundo.
Na carta aos Romanos 5,6-11, a comunidade dos discípulos amados por Deus tem a missão no mundo testemunhar o amor de Deus pelos homens, um amor eterno, fiel, gratuito e único. Esta é a síntese da mensagem e pregação de Paulo. Ele sente que terminou a sua missão no oriente e quer anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente: a mensagem cristã está em que a salvação não é conquista do homem, mas dom do amor de Deus. Todos os homens vivem mergulhados no pecado, pois o pecado é realidade universal (cf. Rom 1,18-3,20); mas Deus, na sua bondade, a todos justifica e salva (cf. Rom 3,1-5,11); e essa salvação é oferecida por Deus ao homem através de Jesus Cristo; ao homem resta aderir à proposta de salvação, na fé (Rom 5,12-8,39): o texto fala da paz, plenitude dos bens (cf. Rom 5,1); e da esperança, que nos faz caminhar no mundo de cabeça erguida, de olhos no futuro glorioso da vida plena (cf. Rom5,2-4).
Para Paulo, o amor de Deus surpreende sempre; a história da salvação é uma incrível história de amor. O homem com suas forças, não consegue superar a escravidão, o egoísmo e o pecado em que caiu. Deus nos  envia seu Filho ao mundo. Ele ofereceu a sua vida até à cruz para que todos percebessem que o egoísmo gera morte e sofrimento e que só o amor gera felicidade e vida sem fim. O mais incrível é que tudo isto aconteceu “quando éramos, ainda, pecadores”. Isto não se compreende humanamente. Aceitar morrer por alguém que amamos muito, tudo bem, mas não por alguém egoísta, orgulhoso e auto-suficiente. Deus tanto ama a todos que aceitou que o próprio Filho morresse pelos ímpios. Daí vem as seguintes questões:
• O cristão é alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta cada dia com a serenidade, a alegria, a esperança que brotam desse amor. A certeza do amor de Deus condiciona a minha vida, a minha forma de enfrentar as dificuldades, o meu jeito de responder aos desafios da vida.
• O amor de Deus é gratuito, incondicional e eterno. Não espera nada em troca; não põe condições para se derramar sobre o homem; não é descartável. Numa época em que a cultura dominante vende a imagem do amor interesseiro, condicionado e efêmero, o amor de Deus é grande desafio.
• O amor de Deus é universal. Não marginaliza nem discrimina ninguém, não distingue entre amigos e inimigos, não condena os que falharam nem os afasta do convívio de Deus.
– No discurso da missão, em Mateus, há uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio de doze discípulos (que representa o Povo todo) a anunciar o Reino. Os doze continuarão a missão de Jesus e levarão a proposta de salvação e de libertação que Deus fez aos homens em Jesus, a toda a terra.
Jesus anuncia o Reino em palavras e em obras (cf. Mt 4,23-9,35), os discípulos são enviados em missão (cf. Mt 9,36-11,1) a anunciar a chegada do Reino dos Céus. Mateus fala da missão dos discípulos (cf. Mt 9,36-38) e do zelo de Deus que quer oferecer ao seu Povo a salvação. Israel é uma comunidade abatida e desnorteada, cujos pastores (os líderes religiosos judeus) deixaram suas responsabilidades. Eles são maus pastores (cf. Ez 34; Zac 10,2). O coração de Deus está cheio de compaixão por este rebanho abatido e desanimado; Deus vai conduzir o seu Povo para as pastagens verdejantes. A messe indica que a missão é urgente e que já não há muito tempo para o juízo de Deus; o pedido ao Senhor da messe leva a contemplar a missão como obra de Deus, segundo os critérios de Deus, de rezar antes de anunciar o Evangelho. Jesus chamou os seus. Não há explicação sobre os critérios da escolha: vocação e eleição tocam um mistério insondável, que depende de Deus e que o homem nem sempre consegue compreender e explicar.
Os doze discípulos, como as doze tribos de Israel, lembram a totalidade do novo Povo de Deus. A missão que Jesus lhes confia é dar o poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. Os espíritos impuros, as doenças e as enfermidades representam o que escraviza o homem e que o impede de chegar à vida plena. A missão é lutar contra o que destrói a vida física e espiritual, e a felicidade do ser humano, é lutar contra o “pecado”.
Quem evangelizar? Primeiro, as ovelhas perdidas da casa de Israel, depois, os pagãos. Os sinais do anúncio da chegada do Reino são a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a expulsão dos demônios. A gratuidade pede que a missão não vise lucro ou interesses egoístas. Daí a expressão “recebestes de graça, dai de graça” faz da própria vida um dom gratuito ao “Reino”, sem esperar em troca qualquer paga. A missão dos discípulos é um prolongamento da missão de Jesus.

 

 

 

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Dom Antonio Emidio Vilar
Bispo Diocesano

 

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