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27º DOMINGO DO TEMPO COMUM: A Vinha do Senhor

 

08 de outubro

O Mês de Outubro é dedicado ao Rosário e às Missões. Na mensagem para o Dia Mundial das Missões, o Papa aborda o tema A missão no coração da fé cristã, destaca que a Missão inspira uma espiritualidade de êxodo, peregrinação e exílio contínuos e lembra que a Igreja não é fim em si mesma, mas mediação do Reino, não é autorreferencial, que se compraz nos sucessos terrenos, mas Igreja de Cristo crucificado e glorioso.

E diz: é preferível uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças.

Os jovens são a esperança da missão. São muitos os jovens que se solidarizam contra os males do mundo, aderindo a várias formas de militância e voluntariado. O próximo Sínodo, em 2018, com o tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, quer envolver os jovens na missão com sua criatividade.

A Liturgia traz o tema da Vinha de Israel, povo eleito, precursor da Igreja, o novo Povo de Deus.

Is 5,1-7, no Cântico da Vinha, narra a História do amor de Deus e a infidelidade do Povo. É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção de vindima. Através do profeta, o trovador, Deus, o Amigo, julga seu povo, a vinha, descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo. – Um agricultor escolheu o terreno mais adequado, escolheu cepas da melhor qualidade, tomou todos os cuidados necessários. – O sonho dele era a colheita dos Frutos do seu trabalho. – Mas a decepção foi grande: só deu uvas azedas. Que mais poderia eu ter feito por minha vinha e não fiz? Reação: Seu amor se transforma em ódio: derruba o muro de proteção,  permite que os transeuntes a pisem livremente e que o inço tome conta.

Os Frutos esperados eram direito e justiça, fidelidade à Aliança, respeito pelos Mandamentos. Ao invés, viu sangue derramado e gritos de horror: infidelidade, injustiça, corrupção, violência, viu manifestações religiosas solenes, sem verdadeira adesão a Deus. Daí o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilônios, que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como escravos. – Hoje há ainda sangue derramado e Gritos de horror.

Em Fl 4,6-9, Paulo apresenta virtudes concretas que os cristãos devem cultivar na própria Vinha. São esses os frutos que Deus espera da sua Vinha.

Em Mt 21,33-43, Jesus retoma e desenvolve o poema da Vinha. – Um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e tecnologia necessária e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão. – Chega o tempo da vindima, manda buscar a colheita e vem a surpresa. Não entregam os frutos e maltratam os enviados; nem respeitam o próprio filho do dono. Chegam a matá-lo. – A Vinha não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos.

A parábola relê a História da Salvação: a recusa de Israel ao projeto de salvação. A Vinha é o Povo de Deus. O Dono é Deus que manifestou amor pela vinha. Os vinhateiros são líderes do povo judeu. Os enviados são os profetas e o Cristo morto fora da vinha. Enfim, a vinha será retirada e confiada a outros trabalhadores que ofereçam ao Senhor os frutos devidos e acolham o Filho enviado. Reação do Povo: tenta prender Jesus, pois percebe que a Parábola se refere a ele.

Quem são esses outros, aos quais é entregue a Vinha? Somos nós, membros do novo Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir frutos conforme as esperanças do Senhor na hora da colheita. Que tipo de frutos falta? Os homens do tempo de Isaías e de Jesus eram muito piedosos, zelosos nas práticas religiosas, no respeito do sábado. Não foi disso que Deus se queixou. Isaías relata a queixa de Deus, no dono da vinha: Esperei justiça e houve sangue derramado; esperei retidão de conduta e ouço os gritos de socorro de gente que foi explorada e maltratada.

Isso aconteceu no passado e acontece hoje. Devemos testemunhar diante do mundo, em gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, a realidade do Reino, que Jesus veio propor. Não podemos reduzir tudo a apenas umas práticas religiosas?

Os guardas da vinha quiseram até se transformar em Donos: Esse é um perigo para as nossas comunidades. Não somos donos, mas apenas administradores.

Deus nunca desiste de sua obra de amor e salvação! Isso nos consola, mas também nos alerta: Diante do fracasso com alguns, Deus recomeça com outros, pois Ele não desiste. Será que Deus está satisfeito dos frutos que estamos produzindo como Igreja em saída, empenhada na missão?

 

 

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Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
Bispo Diocesano

 

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