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32º Domingo do Tempo Comum – Ano A – A vigilância

 

12 de novembroA liturgia nos convida à vigilância. Paulo afirma que Cristo virá para concluir a história humana e inaugurar o mundo definitivo. Quem aderir a Jesus e for ao seu encontro permanecerá com Ele para sempre. O Evangelho das dez virgens fala em estar preparado para acolher o Senhor, vivendo dia a dia fiéis à Palavra de Jesus e comprometidos com seu Reino.

I. Sab 6,12-16 que a sabedoria é dom de Deus. Ele quer a felicidade de seus filhos e põe à sua disposição a fonte de onde jorra a vida definitiva. Cabe-nos a nós estar atentos, vigilantes e disponíveis para acolher a vida e a salvação de Deus.

Este Livro se dirige aos judeus em meio ao paganismo, à idolatria e à imoralidade. Urge redescobrir a fé e os valores dos pais; aos pagãos, ele acusa de idolatria e convida a aderirem a Javé, único e verdadeiro Deus, que garante a sabedoria e felicidade; aos reis, convida-os à sabedoria (cf. Sab 6,11), pois ela é bela, inalterável, garante a imortalidade e o reinado eterno.

O que é a sabedoria: a arte de bem viver, de ser feliz. É um conjunto de princípios práticos, de normas tiradas da reflexão e da experiência, para orientar o dia a dia. Essas normas proporcionam uma vida harmoniosa, equilibrada.

Para o israelita a sabedoria está na Torah (Lei de Deus). Ser sábio é cumprir os mandamentos da Lei. Aí está o caminho para vencer na vida e ser feliz. Esta sabedoria não é difícil ou misteriosa. Ela atrai. Basta desejá-la e amá-la que ela age e dá vida e felicidade. Quem a ama, a encontra no dia a dia: à porta da casa, nos caminhos ou no seu íntimo. Para que ela ilumine só é preciso dispor-se a acolhê-la.

A sabedoria é um dom de Deus que conduz a vida na verdadeira felicidade. Deus é cheio de amor, preocupado em proporcionar dons e meios de ser feliz; para isto, convida à atenção contínua, para acolher esses dons e não se fechar no egoísmo e na auto-suficiência.

1 Tes 4,13-18. Paulo pregou em Tessalônica, mas teve que sair por causa de motim feito pelos judeus. Deixou uma comunidade cristã fervorosa e entusiasta, mas sem a devida catequese (cf. At 17,1-10). Paulo enviou Timóteo para conferir as coisas. Ele viu que viviam bem a sua fé, mas tinham dúvidas em questões de fé e doutrina, como a questão da parusia, o regresso de Jesus, no fim dos tempos. Paulo dizia que Jesus viria em breve para seu triunfo final. Sobre a sorte dos cristãos que morrerem antes, Paulo encoraja-os na fé: Cristo virá para concluir a história. Quem, morto ou vivo, aderiu a Cristo e se identificou com Ele, encontrará a salvação (vers. 14). Cristo recebeu do Pai a vida que não acaba. Quem se identifica com Cristo terá vida semelhante; a morte não tem poder sobre Ele. Isto enche de esperança e ânimo o cristão, e o faz alegre e sereno. – Este gênero literário apocalipse, usa imagem e símbolo: os que morrerem ressuscitarão primeiro (à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, elementos da escatologia judaica); depois, em companhia de nós, os vivos, irão ao encontro do Senhor na glória e permanecerão com Ele para sempre.

Paulo tranquiliza-os, dizendo que não haverá diferença ou discriminação entre os que morreram antes da segunda vinda de Jesus e os que permanecerem vivos até então: uns e outros encontrar-se-ão com o Senhor, partilharão seu triunfo com Ele na glória. – A ressurreição garante-nos que o projeto de salvação de Deus já está se realizando, e vai até à sua concretização plena, no encontro definitivo com Deus.

Mt25,1-13 fala do juízo final. Para uma fé fraca, na rotina e comodismo, o Evangelho pede empenho. Enquanto o Senhor não vem, é preciso viver com entusiasmo e coerência a fé, fiéis à Palavra.

O ritual do casamento judaico começava com a ida do noivo à casa da noiva, para levá-la para sua nova casa. Ele chegava atrasado, pois discutia com a família da noiva os presentes a oferecer. As negociações demoravam e tinham função social. A família cobravam, pois perdia algo muito precioso, a menina; a família do noivo ficava contente com as exigências, pelo valor e importância da mulher que entrava na família. Os testemunhavam iam avisar a noiva o fim das negociações e que o noivo ia chegar. A noiva, então, vestida a preceito, esperava na casa do pai que o noivo chegasse. As amigas da noiva esperavam com as lâmpadas acesas, para acompanhar a noiva, entre danças e cânticos, à sua nova casa. Aí tinha lugar a festa. Esta parábola do Reino usa uma das celebrações mais alegres e festivas para os israelitas: o banquete de casamento. As dez jovens representam o Povo de Deus que espera a chegada do messias (o noivo). Parte do Povo (as jovens previdentes), preparada, quando o Messias aparece, pode entrar a fazer parte da comunidade do Reino; outra parte (as descuidadas), não preparada, não pode entrar na comunidade do Reino.

A questão é preparar a vinda do Senhor que vem. A festa é a segunda vinda de Jesus. O noivo é Jesus. As dez jovens são a Igreja que, nas dificuldades, perseguições, anseia pela chegada da libertação. Estar preparado significa escutar as palavras de Jesus, acolhê-las no coração e viver de forma coerente com o Evangelho, fiéis aos projetos do Pai, e amar os irmãos em todos os instantes, até ao dom da vida.

Hoje vivemos altos e baixos, de entusiasmo e compromisso, ou de comodismo e pouco empenho. As dificuldades nos levam a esquecer os valores do Reino e ir atrás de valores passageiros que nos levam à escravidão e a frustração. O Evangelho mostra que o Senhor Jesus que voltará para nos oferecer a vida plena e definitiva. Devemos vigiar à espera do Senhor, não só no encontro final com Jesus, mas todos os dias com nosso empenho na construção de um mundo melhor, um mundo, o Reino.

 

 

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Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
Bispo Diocesano

 

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