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Homilia – Domingo da Santíssima Trindade

 

Domingo da Santíssima Trindade
Dom Antonio Emidio Vilar 11/06/17

homilia dom vilar 11 06 2017As celebrações pascais nos fizeram mergulhar no Mistério de Deus Trindade e hoje celebramos a Santíssima Trindade. Mais que decifrar o Mistério que se esconde por detrás de um Deus em três pessoas esta celebração é uma oportunidade para contemplar nosso Deus e purificar o nosso coração das falsas idéias que temos d’Ele.

O Deus cristão não é solitário, é amor, é família, é comunidade e criou os homens para comungarem esse mistério de amor. Não é fácil falar de Deus pela sua grandeza, pela nossa pequenez e pela idéia que nos passaram na infância, de que esse Mistério é uma coisa difícil que não podemos entender. Esse Mistério é tão sublime que nunca poderemos compreender em plenitude, mas podemos e devemos crescer no seu conhecimento. A própria Bíblia é uma contínua e progressiva revelação de Deus. E esse Mistério só foi revelado pelo próprio Cristo.
As leituras de hoje aprofundam o tema: em Ex 34,4b-6;8-9, Deus se revela a Moisés como o Deus do amor e da misericórdia, o Deus próximo que vem ao encontro do homem. Moisés intercede pelo povo, que se afastara de Deus e da Aliança: Perdoa os nossos pecados. Caminha conosco. E Deus renova a Aliança com Israel. Deus é fiel, apesar da infidelidade de Israel.
O Antigo Testamento não conhecia o Mistério da Trindade. O que a revelação destacava então, era o Deus Único e seus atributos, Onipotência e Misericórdia.  
Em 2 Cor 13,11-13, apresenta-se um Deus próximo que permanece sempre conosco e é para conosco graça, paz e comunhão. Paulo saúda os primeiros cristãos com uma fórmula trinitária, que repetimos ainda hoje no início das Missas: A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco. Essa saudação atribui a cada pessoa da Trindade um dom ou uma função, embora toda ação salvadora seja comum na Santíssima Trindade: O Pai tomou a iniciativa de salvar os homens, destinando-os a uma felicidade eterna, na sua família; O Filho realizou essa obra de salvação, com a sua vinda ao mundo e a sua fidelidade até a morte; O Espírito, Amor que une o Pai com o Filho, foi infundido no coração de todos os cristãos no Batismo.
Em Jo 3,16-18 vemos um Deus que salva. Deus se revelou ao mundo por meio de seu Filho. Cristo é o lugar de encontro de Deus com o homem e do homem com Deus. Quem crê no Filho se salva. Deus amou de tal forma o mundo que lhe deu o seu Filho Unigênito. Deus não o enviou ao mundo para julgar, mas para salvar. Quem não crê, já está condenado. Para João, o juízo será feito agora pelo próprio homem, toda vez que acolhe ou recusa a proposta de salvação que Deus lhe faz.
Por que Deus revelou esse Mistério? – Não foi para criar um problema na sua compreensão. Porque nos ama, ele revela os segredos íntimos da vida divina e nos introduz na sua Família. Em nós está o Pai que nos chamou do nada, nos insuflou o sopro da vida, nos deu um nome, nos confiou uma missão. Em nós está o Filho que entregou sua vida por nós. Em nós está o Espírito Santo que nos ilumina e fortalece nos caminhos de Deus. E toda essa maravilha veio até nós pelo Batismo.
Ter esse tesouro precioso dentro de nós é uma dignidade que provoca três atitudes: Adoração – Como não dar glória, bendizer e agradecer o hóspede divino, que faz de nossa alma um verdadeiro Santuário? Amor – Deus, apesar de sua grandeza, fica conosco como um pai amoroso. Como não corresponder a seu amor? Imitação – O Amor nos levará à imitação da Santíssima Trindade, dentro do possível de nossa pequenez…
Por que essa Festa? – Esta Festa, mais que desenvolver a doutrina da Trindade, mistério central de nossa fé e de nossa vida cristã, quer ser um momento para relembrar de onde viemos e a comunhão que devemos restaurar em nós, para sermos de fato a sua imagem e semelhança. Somos chamados a ser reflexos da Santíssima Trindade, sinais de comunhão, de partilha e esperança, num mundo tão dividido, individualista e desesperançado.
A Festa da Santíssima Trindade nos convida a renovar a nossa fé recebida no Batismo.

 

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Dom Antonio Emidio Vilar
Bispo Diocesano

 

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