Domingo de Ramos 2018: Hosana e Cruz

O Domingo de Ramos inicia a Semana Santa convidando a contemplar o grande amor de Deus em Jesus Cristo que desceu ao nosso encontro, fez-se homem e morreu pela nossa salvação. Somos convidados a reviver os mistérios centrais da nossa nFé neste Domingo de Ramos ou da Paixão, de Triunfo e de Humilhação: a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém montado num jumento, aclamado como Salvador (Jo 12,12-16); a Paixão do Senhor (Mc 14,1-15,47).
Na Semana Santa lemos as 4 narrativas da Paixão de Jesus Cristo; nesta liturgia é a narrativa de São Marcos, a primeira e a mais antiga (± 65 dC), a mais breve e dramática. É o texto que traz uma ordem cronológica mais exata.
A Ceia é o contexto que Marcos nos traz: a Ceia de Betânia, na casa de Simão, na qual Jesus é ungido por uma mulher: o gesto generoso da Mulher contrasta com a atitude egoísta e traidora de Judas; a outra Ceia é a Ceia Pascal que Jesus celebra com seus discípulos.
1. Jesus mantém um Silêncio solene e digno, aceita o caminho da Cruz, não reage diante do beijo de Judas e ao gesto violento de Pedro. É a atitude de quem sabe que o Pai lhe confiou uma missão e está decidido a cumpri-la, custe o que custar. No tribunal, acusado, mantém silêncio. Mas, perguntado se era o Messias, reponde prontamente: Sim, eu sou! E só! Durante o processo: nenhuma palavra.
2. Jesus é o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de Salvação. É o que Jesus responde ao Sumo Sacerdote: “Eu sou” e o que o Centurião afirma aos pés da cruz: Verdadeiramente esse homem era Filho de Deus! É o ponto culminante da narrativa de Marcos, que no seu evangelho procura responder: “Quem é Jesus?” A resposta (a descoberta) não foi feita por um apóstolo, nem mesmo por um discípulo, mas por um pagão.
3. Jesus é também Homem e partilha da fragilidade e debilidade da natureza humana: no Jardim, antes de ser preso, começa a sentir grande pavor e angústia. Mostra-nos um Jesus muito humano, muito próximo de nossas fraquezas.
4. Sublinha a Solidão de Cristo: Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre na solidão, no abandono, na indiferença de todos, o seu caminho de morte. Só Marcos sublinha que Jesus se sentiu completamente só, abandonado por todos, até pelo Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
5. Fato curioso: Um jovem o seguia, coberto somente de um lençol. Quando os soldados tentaram agarrá-lo, livrou-se da roupa e fugiu despido. É possível que esse jovem fosse o próprio Marcos. Foi a atitude dos discípulos que, desiludidos e amedrontados, largaram tudo, quando viram o seu líder ser preso e fugiram sem olhar para trás.
6. Coragem de José de Arimatéia: pede à autoridade que o condenou autorização para sepultar Jesus.
7. Abba, Pai: essa palavra somente Marcos a coloca nos lábios de Jesus, exatamente na hora mais dramática da sua vida.
9. As mulheres seguem, servem e sobem com ele a Jerusalém. Marcos salienta a presença delas que seguem e servem Jesus desde a Galiléia e sobem com ele a Jerusalém, até o pé da Cruz. Elas são o modelo para os outros discípulos que tinham fugido.
Os Ramos que carregamos com alegria e entusiasmo na procissão e levamos com devoção para as casas, são o sinal de um povo, que aclama o seu Rei e o reconhece como Senhor que salva e liberta, devem ser o Sinal do compromisso, de quem deseja viver intensamente essa Semana Sta. Não basta apenas aclamar o Cristo em momentos de entusiasmo e depois crucificá-lo na rotina de todos os dias.
O Lava-pés nos leva a limpar o coração na água purificadora da Penitência e a nos pôr a serviço.
A Ceia do Senhor nos faz valorizar a presença permanente de Cristo em nosso meio na Eucaristia e seja o alimento constante em nossa caminhada.
O Getsêmani nos anima a fazer a vontade do Pai, mesmo nos caminhos do sofrimento e da Cruz.
O Túmulo silencioso é o nosso deserto para escutar mais forte a voz de Deus e um estímulo para remover todas as pedras que mantém ainda trancado o Cristo dentro do túmulo do nosso coração.
A Vigília Pascal reanima nossa Esperança nas promessas do Senhor enquanto aguardamos sua vinda.
A Semana Santa nos leva a celebrar a Páscoa com Cristo, vencedor das trevas do pecado e da morte.

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB


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