O valor das confissões comunitárias

Logo após a quarta-feira de cinzas nossas paróquias iniciaram os “exercícios quaresmais”. Tantas iniciativas para que a vivência desse tempo forte pudesse servir para uma maravilhosa mudança em nossas vidas. Um esforço eclesial para nos tornarmos pessoas melhores. Pois a final, é isso que o Pai deseja: que sejamos sempre cada vez mais sua imagem e semelhança.Dentre tantas práticas e esforços, estão as confissões comunitárias. Esforço de ambos os lados: dos padres que deixam suas paróquias para ir ao encontro do povo em tantos lugares diferentes, e do povo que se empenha e se prepara com a confissão sacramental para viver o dom da Páscoa com um coração renovado.
Enquanto nos esforçamos, Deus vai realizando sua obra e vai sarando as feridas na vida de tantos dos seus filhos. E no meio dessa entrega e dessa dedicação estamos nós, os padres, sendo mediadores dessa graça renovadora e tão recompensante. Sem nos darmos conta acabamos fazendo experiência da fraternidade presbiteral quando todos os dias nos encontrando em paróquias diferentes para apascentar o rebanho de um amigo presbítero. E esse pastoreio também não deixa de ser motivo de encontro entre nós, de partilha, de solidariedade, de compromisso e responsabilidade. É sem dúvida a experiência do bom pastor que dá a vida por suas ovelhas. É a experiência da escuta, da acolhida, às vezes do exercício da paciência; da exortação, da palavra amável e também daquela mais dura. É a experiência do amor que se manifesta no perdão e na reconciliação.
E porque não dizer que é a experiência de participar da experiência do outro? Quantas lágrimas não colhemos? Quantas vezes não participamos do desespero e sofrimento dramático de mães, pais, filhos, esposos e esposas? Como descrever a experiência de ter diante de ti uma pessoa que espera uma luz, uma direção, uma resposta de Deus nas tuas palavras? Como não se sentir edificado diante de uma legítima profissão de fé de alguém que diante de você acredita que Deus irá cancelar seus pecados quando você impor as mãos e proferir as palavras da absolvição?
Tantas vezes esse esforço chega a ser extenuante. É cansativo e exigente. Mas o que nos anima é não esquecermos que foi para isso que nos fizemos padres: para que através do nosso ministério ordenado, especialmente através da absolvição sacramental, algo especifico do nosso sacerdócio, Deus pudesse continuar perdoando e justificando seu povo!

 

Pe. André Luiz Passos
Pároco da Paróquia Santa Cruz
Santa Cruz das Palmeiras