IVº Domingo da Páscoa: O Bom Pastor

O 4º domingo de Páscoa,o Domingo do Bom Pastor, é Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

A imagem do pastor já aparece com freqüência no Antigo Testamento: Abel, Moisés e Davi  foram pastores. Num país árido, a presença do pastor era vital para a ovelha sobreviver. O pastor passava o dia todo com ela e estabelecia profunda identidade com ela. O próprio Deus se compara a um Pastor, que guia, defende e alimenta o seu povo (Sl 80).

Quase todos os Reis de Israel foram maus pastores que conduziram o Povo por caminhos de morte e desgraça. Por isso, o Senhor promete: Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas. (Ez 34,15)

At 4,8-12 mostra o primeiro pastor da primeira Comunidade: Pedro responde ao Sinédrio que curou o aleijado: em nome de Jesus Cristo, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus. Ele é o único Salvador, o Pastor verdadeiro que nos conduz à verdadeira vida.

Na 1Jo3,1-2, João afirma que somos todos Filhos de Deus. Mas essa filiação divina não é uma conquista nossa, mas um dom do Deus que habita em nós.

Em Jo 10,11-18, Jesus afirma: Eu sou o Bom Pastor! Nesta Catequese sobre sua pessoa e missão, Jesus diz que conduz a pastagens verdejantes e a fontes cristalinas, de onde brota vida em plenitude. O Bom Pastor é diferente dos outros, seja porque está disposto a dar a vida pelas ovelhas que ama, e o mercenário abandona as ovelhas e foge no perigo, seja porque conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Ele as chama pelo nome e elas o seguem. Conhecer é mais que ato intelectual, é comunhão de vida, fruto de convívio e diálogo: gera amor.

Quem são as ovelhas do rebanho?  Aquelas que seguem a voz do Pastor. Não só os que participam da Igreja regularmente, pois, diz Ele: Tenho ainda outras ovelhas que não são desse rebanho, é preciso que eu as conduza. E elas ouvirão a minha voz. E haverá um só rebanho e um só pastor.

Cristo nos pede unidade. E isto requer de nós zelo apostólico para cativar as ovelhas que ainda não descobriram o amor apaixonado do Bom Pastor; e espírito de unidade que vença as barreiras que nos separam. Ele não quer a Igreja dividida em rebanhos separados e convida à unidade.

Quem é nosso Pastor que aponta caminhos e dá segurança? O Pastor por excelência é Cristo; Pastores são o Papa, os Bispos, os padres; são as pessoas que prestam um serviço na família, na sociedade, no ambiente de trabalho; são pessoas que receberam de Deus e da Igreja a missão de presidir e animar, em nossas comunidades cristãs, apesar das suas limitações. Cada um pode ser Pastor de seu irmão. Mas, o único Pastor que devemos escutar e seguir, sem condições, é Cristo.

Os outros pastores têm missão válida se recebem de Cristo a missão e atuam do seu jeito. E como Cristo exerce a Missão de Pastor? Ele não o faz por interesse pessoal como o mercenário, mas por amor: Ele aponta caminhos, defende as suas ovelhas no momento de perigo, mantém uma relação pessoal com cada uma, conhece os seus sofrimentos, sonhos e esperanças.

As Pastorais são serviços de Pastor nos diversos setores da Comunidade. – Qual é o espírito com que atuamos? Por amor ou preocupados em levar alguma vantagem, prestígio ou poder?

Como reconhecer o Bom Pastor? Para distinguir a voz do Bom Pastor (ou falsos pastores) é preciso um permanente diálogo íntimo com Cristo, um confronto permanente com a sua Palavra e a participação ativa nos sacramentos, onde ele nos comunica essa vida, que o Pastor nos oferece.

Jesus mostra o rosto bondoso de Deus e os gestos de carinho e de acolhida do Bom Pastor.    Deste jeito é que somos continuadores dos gestos e palavras do Bom Pastor que dá a vida por todos.

Justamente no domingo do Bom Pastor celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a 55ª. O Papa nos propõe este tema: Escutar, discernir, viver o chamado do Senhor. Ele nos diz que ‘o Senhor continua a chamar para segui-Lo. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso eis-me aqui, nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no hoje que Deus nos concede.’

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
Bispo Diocesano