VIº Domingo da Páscoa: Amai-vos como eu vos amei!

Hoje a liturgia nos leva a contemplar o amor de Deus revelado na pessoa, gestos e palavras de Jesus, e dia a dia tornado presente na vida dos homens pela ação dos discípulos de Jesus.

Em At 10,25s.34s.44-48, Pedro anuncia Jesus e sua ação salvífica na casa de Cornélio. Ele e sua família acolhem o anúncio e são batizados. A salvação dada por Deus por Jesus e levada ao mundo pelos discípulos, se destina a todos que tem um coração aberto às propostas de Deus.

Em 1 Jo 4,7-10, João afirma que Deus é Amor. Esta é uma das definições mais profundas e completas de Deus. Seu Amor é presente de dois modos: Amor que é a doação de Cristo por nós e Amor que devemos ter para com os filhos de Deus. – O primeiro é modelo e fundamento do segundo. Se Deus é Amor, o Amor deve estar presente na vida dos filhos de Deus.

Em Jo 15,9-17, Jesus mostra aos discípulos o caminho a percorrer: Testemunhar o amor de Deus no meio dos homens. O texto faz parte do Discurso da Despedida na última ceia. É o último discurso de Jesus aos discípulos, antes de ser preso. São as últimas recomendações aos seus “amigos”, antes de partir. É uma catequese sobre o caminho que os discípulos devem percorrer, após a partida de Jesus deste mundo. Refere-seà relação de Jesus com os discípulos e à missão que os discípulos serão chamados a desempenhar no mundo. A relação do Pai com Jesus é modelo da relação de Jesus com os discípulos. O Pai amou Jesus e demonstrou-lhe sempre o seu amor; e Jesus correspondeu ao amor do Pai, cumprindo os seus mandamentos. Da mesma forma, Jesus demonstrou sempre o seu amor aos discípulos; e eles devem corresponder ao amor de Jesus, cumprindo os seus mandamentos.

Este texto é um discurso que o Ressuscitado dirige hoje do céu para todos os discípulos. É uma síntese de muita coisa em poucas palavras. O mandamento do amor é a raiz de toda vida cristã.

A Estrutura do Amor tem 3 planos: – O Amor do Pai por seu Filho Jesus Cristo; – O amor de Jesus Cristo pelos homens; e – O amor dos homens entre si: Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Amai-vos uns aos outros!

Os discípulos são amigos de Jesus: Já não vos chamo servos, mas amigos! Amigo é muito mais de que um servo, um colaborador, é um confidente, com o qual existe uma comunhão de vida, de planos e ideais. Um Deus com sentimentos humanos nobres e profundos.

A iniciativa é de Jesus: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi. O Amor partiu dele, não de nós. Desse amor, nasce a vitalidade e a amplidão da sua Missão. Baseada nisso, a resposta dos discípulos se torna fecunda em frutos duradouros. Conseqüentemente, a oração deles ao Pai também será ouvida, porque feita em nome de Cristo.

A Igreja é a comunidade de amigos, que acolhem o convite de Jesus e colaboram na missão de testemunhar ao mundo o Amor do Pai, com alegria e entusiasmo. O melhor testemunho em Deus em quem acreditamos e da Boa nova que anunciamos é nossa comunhão.

Os amigos de Jesus devem amar como Ele amor: A prova concreta que amamos é a observância dos Mandamentos: Quem me ama, guarda os meus mandamentos. Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. – Amar como Ele, é tornar visível em nós o amor de Deus. – Amar como Ele, é amar também os amigos de Jesus.

Seremos amigos de Jesus, quando somos testemunhas desse mundo novo que Deus quer oferecer aos homens e que Jesus anunciou na sua pessoa, nas suas palavras e nos seus gestos.

Esta é a identidade dos discípulos de Jesus. O Amor é a base e o fundamento do cristão: sem amor não há cristão, nem cristianismo. O amor fundado em Cristo supera as divergências, anula as distâncias, elimina o egoísmo, as rivalidades, as discórdias.

Esse amor dá aquela fecundidade apostólica que Jesus espera dos seus discípulos. Só quem vive no Amor pode levar ao mundo o fruto precioso do Amor.


Dom Antonio Emidio Vilar, SDB

Bispo Diocesano