Os leigos do assunto

O Ano Nacional do Laicato surge como uma boa oportunidade para nós revisitarmos o grande acontecimento que foi o Concílio do Vaticano II que recebeu um nome apropriado de “Primavera da Igreja”. Verdadeiro sopro do Espírito Santo, o Concílio nos fez lembrar que a Igreja não é uma Sociedade Anônima, que seus fiéis não são meros “fregueses” e que ela não é um fim em si mesma; sua “missão” é proclamar o Evangelho sempre, em todos os tempos e momentos.

Ganhamos com o Concílio e com o Santo Papa João XXIII um conjunto de posturas que até hoje devem ser implementadas em nossas ações e projetos pastorais. A Igreja é o “Povo de Deus”, está “sempre em estado de conversão”, a Igreja é “santa, porém pecadora” e está a serviço do Evangelho, dos filhos e filhas de Deus, deve olhar para si e para o mundo; seus ministros ordenados são os primeiros servidores dos irmãos e o “diálogo” com os judeus, com os não crentes e com os outros cristãos é fundamental para a vida da fraternidade, pois o “que nos une é mais importante do que o que nos separa”.

Há cinquenta anos, o mundo era sacudido com essas “novidades” que ainda hoje desafiam nossas comunidades e paróquias. Um ponto importante a ser destacado é a valorização do “sacerdócio comum” de todo o Povo de Deus.  Este Sacerdócio, dado a nós no Batismo nos dá a graça de ser filhos de Deus e nos abre as portas para os outros Sacramentos, assim, nossa grande dignidade é, em primeiro lugar, ser “Filhos de Deus”, ou como o texto conciliar diz: “filhos nos Filho”! Nosso Batismo nos dá a graça de ser filhos e exige o comprometimento de ser irmãos uns dos outros.

Certa vez, ouvindo o grande e santo dom Helder Câmara, ele disse que não há oposição entre clero e leigos, sacerdócio comum e sacerdócio ministerial; o que distingue o ministério do padre e do bispo é que o Sacramento da Ordem nos dá a responsabilidade de cuidar do rebanho; não nos coloca acima para mandar ou desmandar, nem abaixo para ser pajeados, mas formando um “corpo” somos membros uns dos outros.

É dessa forma que o pontificado de Francisco nos ajuda a atualizar as propostas do Vaticano II ao nos convocar a ser “Igreja em saída”, a viver a “alegria do Evangelho” e a “exultar e alegrarmo-nos”, pois Deus caminha no meio de nós. É preciso que nos valorizemos uns aos outros, que reconheçamos as nossas virtudes e as coloquemos ao serviço de nossos irmãos; é necessário reconhecer que os irmãos, principalmente os leigos tem muito a oferecer. O clero precisa reaprender a missão de “reger” a orquestra, acompanhar e harmonizar a sinfonia sem obstruir a melodia. Os ministros ordenados devem realizar o “ministério da síntese” e não a “síntese dos ministérios” porque não sabemos tudo e nem entendemos de tudo. Há que entusiasmar dentro e fora da comunidade esses leigos valorosos que professam a fé, nutrir com formação adequada para que a comunidade e a sociedade cresçam e floresçam conforme o desejo do bom “Agricultor”, que limpa, poda e cura os ramos para que produzam frutos bons que fazem a vida e o mundo melhores, saudáveis e com o alicerce na justiça e na fraternidade.

Pe. João Paulo Ferreira Ielo
Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu