14º Domingo do Tempo Comum: A Voz de Deus

Para realizar seus planos, Deus chama e envia pessoas para serem sua Voz no meio do Povo. As leituras falam de três exemplos: Ezequiel, Paulo e Jesus, um Profeta desterrado; um carpinteiro, filho de Maria; um que reconhece suas fraquezas.

Ezequiel 2, 2-5 fala de sua Missão. A vocação do profeta comporta três elementos: a Iniciativa é de Deus; o chamado é um filho de homem; a Missão é anunciar a Palavra de Deus ao povo.

Em 2 Cor.12,7-10, Paulo fala da experiência das dificuldades encontradas no seu apostolado. E garante aos cristãos de Corinto, que Deus atua e manifesta seu poder no mundo através de instrumentos fracos e limitados. Deus garante a Paulo e a todos os que têm algum tipo de espinho: Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente.

Em Mc 6,1-6, encontramos a experiência de Cristo. Jesus volta a Nazaré e ensina na sinagoga. O povo se admira da sabedoria, dos milagres… e se pergunta perplexo: Quem é esse homem? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria? Este Jesus não podia ser o Messias esperado. Eles esperavam um guerreiro como Davi, um sábio como Salomão. Não um humilde carpinteiro. Eles o conhecem muito bem: o carpinteiro, filho de Maria, não pode ser o enviado de Deus… Sua Palavra escandaliza, sua mensagem gera oposição e sua vida cria conflitos. Não conseguem reconhecer em Jesus o Messias esperado e o rejeitam. Até os parentes de Jesus não aderem à sua mensagem. Jesus, decepcionado, conclui: Um Profeta não é estimado entre os seus. Mas, apesar da incompreensão, continuou fiel aos planos do Pai.

Quem são os Profetas? Não são pessoas extintas do passado, mas uma realidade com que Deus continua a contar ainda hoje para intervir no mundo.

Todo batizado tem a sua história de vocação profética. O Profeta não é o encarregado de fazer milagres e prever o futuro. Deus espera dele uma coisa: que transmita a sua palavra. Deus não tem boca e precisa de alguém para ser a sua Voz. Para isso, deve escutar a mensagem de Deus e deixar que ela penetre até o íntimo do coração, e depois anunciá-la com entusiasmo e fidelidade.

Como desempenhar a missão de Profeta? Estar em comunhão com Deus e atento à realidade humana. Fala em nome de Deus para denunciar, para avisar, para corrigir.

A denúncia profética implica, muitas vezes, perseguição, sofrimento, marginalização e até morte.

Em geral, Deus não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que os homens admiram. Ele se revela na fraqueza, na simplicidade, nas pessoas mais humildes e despretensiosas.

As nossas limitações humanas não são desculpas para não realizar a missão que Deus nos confia. Se ele nos pede um serviço, Ele também nos dará a força para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede.

Jesus não fez milagres em Nazaré, porque não acreditaram nele. Só a fé dá condições para que os milagres aconteçam. Diz-se que Santo de casa não faz milagre. Por que será? A culpa é dele ou nossa? Conhecemos pessoas, ignoradas ou rejeitadas na própria Comunidade, que fazem grande sucesso lá fora?  Por que será?

Vimos que Ezequiel, Paulo e Jesus não desistiram diante das dificuldades: lutaram e venceram. Nós também podemos nos sentir na mesma situação: o testemunho, que Deus nos chama a dar, realiza-se, também, nas incompreensões e oposições, ao nos sentir desanimados e frustrados por não sermos entendidos, acolhidos. Se temos a sensação de que perdemos tempo. Jesus nos convida a não desanimar, nem desistir: Ele sabe como transformar um fracasso num êxito.

Qual a nossa atitude? Nós continuamos a ser a “Voz” de Deus na comunidade, na família, mesmo diante das contrariedades e adversidades? Valorizamos as pessoas que atuam com dedicação em nossa comunidade, acolhendo-as como a “Voz” de Deus?

Façamos nossa profissão de fé, não apenas em Deus, mas também nas pessoas com quem convivemos. E veremos, que os santos de casa também farão milagres.

Bispo Diocesano
Dom Antonio Emidio Vilar, sdb