17º Domingo do Tempo Comum: O Pão partilhado

Quanta Fome há no mundo. Deus nos convida a partilhar o Pão da vida com aqueles que têm fome de amor, de paz, de esperança, de justiça e de liberdade.

2 Rs 4,42-44 fala do pão partilhado de Eliseu: um homem, durante uma longa carestia, oferece generosamente a Eliseu o pão das primícias: 20 pães de cevada. O Profeta não guarda para si o precioso alimento e manda repartir com o povo: Dá ao povo para que coma. O Homem se surpreende: Mas como? É tão pouco para 100 pessoas. E o Profeta lhe garante: Dá! Todos comerão e ainda sobrará.

Vemos que Deus não multiplica os pães do nada, mas usa o gesto generoso de duas pessoas: um homem desconhecido que oferece o fruto do seu trabalho; e Eliseu que partilha o dom recebido. O Pão partilhado sacia a fome de todos e ainda sobra. Este é o caminho a ser seguido, também hoje, para resolver o problema da fome no mundo.

Em Ef 4,1-6, Paulo exorta a manter a Unidade com o vínculo da Paz. É o caminho para que juntos possamos sentar-nos à mesa do Banquete do Senhor.

Em Jo 6,1-15, Jesus é o pão partido e partilhado na mesa do mundo. Temos 5 domingos para refletir sobre a Multiplicação dos pães e o Sermão do Pão da Vida, o único milagre descrito por todos os 4 evangelistas. O Povo, faminto da sua palavra cheia de vida, segue o Cristo, que se retira com os discípulos para um lugar deserto, tem compaixão e continua a falar. Atento às necessidades do povo, provoca os apóstolos: Onde vamos comprar pão para que eles possam comer? Felipe: Nem duzentas moedas são suficientes. André: Um menino tem 5 pães e 2 peixes, mas o que é isso? Jesus: Fazei-os sentar! Tomou os pães, abençoou e distribuiu. Na partilha, todos ficam saciados e ainda sobra alimentos. A reação do povo é querer fazê-lo rei. Não entende o sinal que acompanha sua missão. Jesus não vem para distribuir cestas básicas para ser eleito. O verdadeiro pão que alimenta o mundo é Jesus, Palavra do Pai. E Jesus retirou-se para a montanha.

O Povo continua a ter fome: tem fome material, tem fome de valores humanos e cristãos. A solução não está no muito que poucos possuem e retêm para si, mas no pouco de cada um, que é repartido entre todos. Para o Brasil, país rico com uma população tão pobre, Jesus continua a repetir: Dai-lhe vós mesmos de comer! (Mc 6,37)

Qual é o Caminho? No Evangelho Jesus dá três pistas: partilha, organização e economia.

  1. a) A partilha é o primeiro passo para acabar a fome do mundo. Jesus não dá uma esmola. Jesus ajuda as pessoas a repartirem o que elas têm. Ao repartir, todos têm o necessário e ainda sobra. Os milagres de Deus iniciam onde há generosidade.
  2. b) A organização do povo é condição para poder reivindicar e conquistar os seus direitos: Jesus pede para que os discípulos organizem a multidão para que se sente.
  3. c) A economia é evitar o desperdício: Jesus pede para recolher o que sobrou.

Partilhar é obra dos seguidores de Cristo. Partilhar o que? Com quem? Jesus partilhou a Palavra e o Pão, com os apóstolos e o povo. Hoje, o que partilhar? Com quem? Com a família: trabalhos, dinheiro, as coisas. Com os amigos: conhecimentos, objetos. Com a comunidade: a fé (grupos), os dons, o tempo.

Cristo continua a nos alimentar: a multiplicação dos pães é sinal profético do pão da vida eterna. Jesus usa gestos idênticos aos da última ceia: Tomou os Pães, deu graças e os repartiu, querendo manifestar a relação íntima entre o pão da Multiplicação e o pão da Eucaristia. Quem partilha a compaixão de Jesus com os famintos, vive e cumpre o Evangelho, quando diz: Tive fome e me destes de comer!

 

Bispo Diocesano
Dom Antonio Emidio Vilar, sdb