A paz é como um rio

Os nossos dias tem sido marcados por péssimas notícias e grandes tragédias. O desrespeito ao ser humano chega a uma tal proporção que, por vezes, chego a questionar nossa inteligência ou racionalidade. Parece que à medida que o tempo passa nós desaprendemos as lições mais simples para a convivência, a esperteza toma ares de inteligência, as falcatruas aparecem como soluções mágicas que justificam pequenos e grandes golpes, e, o mais grave a meus ver, é a mentira e os mentirosos deitando e rolando ao justificar que se antes já faziam errado, agora também se pode fazer. E mais grave é a vista grossa dos que sempre lucram com as desgraças sofridas pela humanidade.

            “Vós sois o sal da terra”, “vós sois a luz do mundo”, disse Jesus Cristo ao entregar a missão aos seus discípulos. Nossa vocação é iluminar e temperar a sociedade com o entusiasmo do Evangelho de Jesus que clareia a realidade, derruba as máscaras dos que enganam aos mais simples até mesmo usando de artifícios religiosos; ser o sal que liberta as pessoas de uma vida sem sentido, que renova a alegria e faz com que cada um se sinta protagonista da sua própria história. Ser sal e luz que ao iluminar e temperar esclarece e incentiva a cada cristão batizado a assumir seu papel de co-laborador de Deus para fazer florescer e “triunfar a justiça e o direito”, a fim de que ninguém use da mentira para se promover e enganar seus semelhantes.

            Os noticiários dão conta diariamente de um cenário de guerra e nos levam a pensar que os “outros são um perigo”; noticias tendenciosas querem fazer pensar que seja necessário matar alguns para melhorar a sociedade, ou até mesmo que se negue os nascimentos às crianças legalizando o “nazismo de luvas brancas”… Declaram guerra à vida, à fraternidade, à esperança e ao amor; pretendem massacrar a justiça, a verdade e o perdão. Tem solução?

            Ao criar o ser humano, homem e mulher, “Deus os criou à sua imagem, como sua semelhança” (Gn 1,26-31) para crescer, dominar e cuidar da terra a fim de torná-la a casa comum de seus filhos e filhas. Entretanto o egoísmo humano fez um grande estrago nos planos divinos. Mas Deus não “jogou a toalha” e por meio de Jesus nos ensina a continuar trabalhando para fazer florescer o desejo original de Deus, afinal somos irmãos. A primeira alternativa para que a sociedade reencontre seu rumo é se lembrar que a fraternidade cria a solidariedade, pois antes de qualquer coisa nós somos irmãos e irmãs; outro ensinamento simples e prático é que “tudo aquilo que queremos que as pessoas nos façam, façamos nós a elas” (Mt7, 12). Por aí reconhecemos que as grandes ações que podem mudar o mundo dependem de simples decisões que cada um de nós pode tomar. É simples, é só alterar algumas opções e ficar com as mais interessantes que já nos ensinara Jesus Cristo. Nossa vocação é fazer a Paz correr como um rio, mas, “não há paz sem justiça e nem justiça sem perdão” (São João Paulo II).

Pe. João Paulo Ferreira Ielo
Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu