Mundo da Comunicação, Areópago dos tempos modernos

Na sua encíclica Redemptoris Missio, São João Paulo II enumera os areópagos modernos que precisam ser evangelizados pela Igreja. Um deles é o mundo da comunicação e dos meios de comunicação social. “O primeiro areópago dos tempos modernos – afirma o Papa – é o mundo da comunicação, que está unificando a humanidade e transformando-a numa aldeia global”.
O areópago era um local de capital importância na cidade de Atenas. Vizinho a ágora, era uma espécie de praça pública, um espaço para o diálogo e para o debate cidadão, uma arena da democracia. O areópago representava, pois, o centro social e cultural de Atenas.
O fenômeno da comunicação – especialmente a moderna comunicação de massas – tem semelhanças culturais determinadas com o areópago ateniense. A comunicação é ao mesmo tempo centro de gravidade da sociedade. Os modernos meios de comunicação social são uma prova incontestável da importância desse areópago que é o fenômeno comunicacional.
O areópago era ao mesmo tempo lugar do debate teológico. Nele confrontavam-se as diversas crenças e experiências religiosas da população ateniense e dos viajantes circunstanciais. Paulo se dá conta dessa significação religiosa e entra no debate ou no diálogo evangelizador. As estátuas ou monumentos sagrados e, acima de tudo, o altar ao deus desconhecido são pretexto, ocasião para o discurso evangelizador de Paulo no areópago (cf. At 17,22-23).
O areópago da comunicação é também lugar teológico e lugar do debate teológico. Não é simplesmente lugar para o debate e o confronto de ideias e crenças religiosas. Também neste sentido a comunicação é um verdadeiro areópago. E se toda comunicação é um lugar teológico, a comunicação de massas é um autêntico universo teológico.
A reflexão teológica deve se voltar nos seus passos para compreender e interpretar teologicamente o fenômeno da comunicação. O areópago foi para Paulo lugar de evangelização (cf. At 17,23). Estar onde as questões disputadas são debatidas é condição obrigatória para a missão eclesial.
A comunicação de massas é hoje um verdadeiro areópago para a nova evangelização. Em amplos setores da Igreja é grande – e talvez compreensível – a tentação de utilizar os modernos meios de comunicação social como simples plataforma ou púlpito, como meros instrumentos de evangelização.
Esta interpretação instrumentalista e utilitarista tem sido denunciada repetidas vezes. Se a comunicação de massas precisa ser devidamente evangelizada é preciso então superar essa interpretação.
É preciso adentrar na cultura dos mass media, conhecê-la de dentro, discerni-la e partir da sua lógica e da sua dinâmica interna, respeitar a sua autonomia e as suas regras de jogo, entabular um diálogo honesto com ela.
O clamor por uma teologia da comunicação tem aparecido na Igreja com frequência, a partir do Concílio Vaticano II. O debate sobre o “vazio teológico” do decreto conciliar Inter Mirifica foi a primeira versão desse clamor. Clamou-se posteriormente por uma teologia da comunicação na instrução pastoral Communio et progressio, no Celam e em outros círculos hierárquicos. Pessoas e instituições comprometidas nos modernos meios de comunicação social têm-se unido a esse clamor.

Pe. Agnaldo José
Bibliografia: Díez, Felicísimo Martinez. Teologia da Comunicação. São Paulo, Paulinas, 1997, pp. 9-17.