21º Domingo do Tempo Comum: Senhor, a quem iremos?

Em nossa vida há muitas encruzilhadas que exigem de nós uma escolha: tomar uma estrada e deixar a outra. Nesses momentos, o testemunho de alguém que sabe o que quer vale muito!  É triste ouvir: Sou católico, batizei meu filho, mas quando crescer ele escolhe sua religião. Será que é preciso deixar o filho crescer para ver se ele quer comer e estudar? Hoje temos dois testemunhos especiais de escolhas: Josué e Pedro.

Js 24,1-2.15-18 narra a escolha de Israel: Javé ou os ídolos. Após a longa peregrinação do deserto e a posse da Terra Prometida, Josué convoca o Povo e o põe diante de uma escolha fundamental: Escolhei a quem quereis servir: os deuses do lugar, ou o Deus que nos libertou do Egito e fez Aliança conosco? Eu e a minha família, porém, vamos servir ao Senhor.

O testemunho forte de Josué evitou que o povo caísse na tentação de uma religião mais fácil dos cananeus, e escolheu continuar fiel ao Deus de seus pais.

Em Ef 5,21-32, Paulo fala do amor conjugal, como sinal do amor de Cristo à sua Igreja. Os esposos devem escolher: Amor ou egoísmo. Como Cristo e a Igreja formam um só corpo, assim marido e esposa, comprometidos uma comunidade de amor, formam um só corpo. O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja.

Jo 6,60-69 narra a escolha de Pedro. O texto encerra o discurso do Pão da vida que provoca uma profunda crise entre os discípulos. Eles são levados a fazer uma escolha. Cristo havia feito o milagre da multiplicação dos pães. O Povo entusiasmado quer proclamá-lo rei. Cristo pede um gesto de fé: crer ou não nele, aceitar ou não a sua proposta, buscar apenas o pão material ou acolher o Dom do Pão da Vida. Como alimentara o povo com o pão material, assim também daria um outro pão que seria o próprio corpo (a Eucaristia). E o povo se escandaliza, não aceita: até os discípulos murmuram: Essas palavras são duras demais, é difícil de engolir. Muitos se retiram e o abandonam. Jesus não muda a linguagem, exige fé.  A fé pode ser aceita ou recusada, mas não negociada. Sem a fé, não entenderiam aquelas palavras e aqueles sinais. Por isso, questiona os doze: Vocês também querem ir embora?

Diante desse desafio, aparece o belo testemunho de Pedro: A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. A atitude forte de Pedro dissipa as dúvidas dos demais apóstolos, e todos permanecem fiéis junto ao seu Mestre.

A nossa escolha: Todos os dias somos desafiados a construir a nossa vida nos valores do poder, do êxito, da ambição, dos bens materiais, da moda. E todos os dias somos convidados por Jesus a construir a nossa existência sobre os valores do amor, do serviço, da partilha com os irmãos, da simplicidade, da coerência com os valores do Evangelho.

Devemos fazer nossa escolha: cristão é quem escolhe Cristo e o segue. Seguir o Mestre significa ver e sentir as coisas como Ele, julgar e pensar a vida como Ele.

Há católicos que deixam a religião. Porque? A falha é de quem? Da Igreja que batiza? Dos pais que não vivem a vida cristã? Da comunidade que não evangeliza ou não testemunha sua fé?

Josué tem firme convicção: Nem que todos te abandonem, eu e minha família, não!

Também Pedro é firme na fé: A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna!

Que tipo de cristão eu sou? Que tipo de religião eu sigo? Uma religião revelada por Deus, que acolho com fé e amor, ou uma religião criada pelos homens que busca seus interesses?

Jesus não se preocupa com o número de discípulos: prefere perdê-los a renunciar à Missão do Pai.

O Reino de Deus não é concurso de popularidade que busca fãs e associados, mas nos desafia.

Com Pedro, digamos: Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna!

Este domingo de agosto é dedicado aos leigos. Este Ano do Laicato propõe aos leigos serem protagonistas, sujeitos na evangelização, como sal da terra e luz do mundo.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano