22º Domingo do Tempo Comum: A Lei de Deus

Estamos no mês de setembro, mês da Bíblia. A Palavra de Deus deste domingo nos fala do sentido da Lei de Deus como vida plena para nós.

Dt 4,1-2.6-8 narra que o Povo de Deus recebe a Lei de Deus das mãos de Moisés, no final de sua vida, antes de entrar na Terra Prometida. Ele deixa seu testamento Espiritual: a Lei de Deus é sagrada e não pode ser alterada. A Lei de Deus traz uma Sabedoria desconhecida por outros povos, um meio de viver a Aliança com Deus e, assim, chegar à Terra Prometida. Observar a Lei é resposta de gratidão a Deus que libertou o seu Povo. A Lei de Deus é Caminho seguro para a felicidade. Os Mandamentos são sinal da proximidade de Deus e da fidelidade de Israel. Por isso, o povo é chamado a acolher a Lei e se deixar guiar por ela.

O judaísmo dá grande destaque à Lei, mas, muitas vezes, faz dela um peso insuportável ao invés de ser sinal de Aliança e de Liberdade.

Tg 1,17-22.27 lembra: Sede cumpridores da Palavra e não apenas ouvintes! Acolher a Palavra de Deus e pô-La em prática consiste na Verdadeira Religião, não só no cumprimento de ritos e na fidelidade a certas práticas de piedade, mas na dedicação em favor dos necessitados (órfãos e viúvas), no compromisso por um mundo mais fraterno e cristão.

Mc 7,1-23 mostra a atitude de Cristo diante da Lei: os fariseus tramam a morte de Cristo, pois na observância externa das leis, se escandalizam com os apóstolos que, antes de comer, não fazem os ritos de purificação prescritos por preceitos humanos. Cristo denuncia sua mesquinhez: Hipócritas! Abandonais o Mandamento de Deus apegando-vos à tradição dos homens!

Na verdadeira religião não basta só a observância externa da Lei e das tradições humanas, mas na conversão do coração. Deus olha o interior das pessoas e não as práticas exteriores e formais. A fidelidade à tradição pede uma renovação.

A Lei é um caminho, não um fim! A Lei leva a uma experiência religiosa, sinal indicador de um caminho a percorrer e meio para chegar ao compromisso com Deus e com os irmãos.

A verdadeira religião, mais que cumprimento formal das leis, é um processo de conversão que leva à comunhão com Deus e a uma real partilha de amor com os irmãos. Nesse processo, as leis são apenas um caminho, não um fim absoluto.

A maneira farisaica de agir vai contra os anseios de renovação. O rigorismo de uma exagerada fidelidade à tradição abafa a fidelidade ao Espírito, que é dinâmica, não passiva, e missionária, não fechada em si mesma.

A Lei não pode ser um tabu, um estraga prazeres, a ser tolerado com dificuldade. A Lei é um Caminho a se percorrer com alegria, pois sabemos para onde nos leva com segurança.

Não basta a prática externa de uma religião da tradição e das aparências. Cristo veio para nos libertar de uma religião exterior e nos levar a uma religião interior, em espírito e verdade, de coração puro, disponível à voz de Deus e à voz de nossa consciência.

Na verdadeira religião proposta por Jesus, os ritos devem ser expressão dum verdadeiro compromisso com o Reino de Deus.

Aos fariseus de hoje, Cristo continua denunciando: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim!

No mês da Bíblia temos a Palavra de Deus que nos conduz ao verdadeiro encontro com Jesus, Palavra Viva do Pai e sentido para as nossas vidas.

 

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano