23º Domingo do Tempo Comum: Os Sinais do Reino

Neste mês da Bíblia, da Palavra de Deus, este domingo nos fala dos sinais do Reino, dos tempos messiânicos com os quais Deus manifesta seu Plano de amor e de libertação.

Em Is 35,4-7, o Profeta anuncia ao povo sofrido do exílio um sinal da libertação próxima: a cura de surdos, mudos, coxos e cegos. Para os judeus, essa cura era sinal dos tempos messiânicos.

Tg 2,15 convida a não discriminar as pessoas e a acolher com bondade os pequenos e pobres.

Mc 7,31-37 mostra a realização da profecia: Jesus abre os ouvidos e solta a língua do surdo-mudo. O povo, alegre, vê na cura um sinal do Poder salvífico do Messias e diz: Tudo ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem. Como na criação, quando Deus viu que tudo era bom. (Gn 1,31)

O surdo-mudo é incapaz de escutar e falar. O que somos sem a Palavra? A Palavra é o meio por excelência de comunicação do homem. A criança precisa de alimento, mas precisa também de palavras de carinho; os namorados precisam traduzir em palavras os sentimentos de seu coração; a Palavra segue o nascer e o crescer do amor e da amizade; até os mudos convertem seus gestos em palavras.

Há palavras vazias que não dizem nada, mas há palavras que carregam o peso de uma vida.

Deus também usa a Palavra. Não quis apenas que sua Palavra fosse lida e ouvida. Quis que fosse também vista, andando no meio dos homens. Deus próprio se fez Palavra, em Jesus Cristo. A Palavra de Deus, hoje, a temos na Bíblia. Muito da Palavra se perdeu na história e permanece escondida nos corações aguardando ser escutada e anunciada. É o que nos lembra São Tiago: Acolhei com humildade a Palavra que lhes foi plantada no coração. (Tg 1,21)

Quem são os surdos e mudos de hoje? Diante da realidade em que vivemos, são os que ficam indiferentes, vivem fechados no seu mundo, de ouvidos fechados às propostas de Deus e de coração fechado aos irmãos. Nada vêem, nada escutam, nada falam. Preferem que sua voz só seja ouvida na hora de rezar, permanecendo cegos, surdos e mudos aos problemas da vida real.

O verdadeiro surdo-mudo é quem não se preocupa em comunicar, em partilhar a vida, em dialogar. E Cristo chama a ouvir o clamor dos que sofrem e a falar em defesa da justiça, dos direitos humanos, na honestidade pública. Muitas pessoas continuam surdo-mudas!

Na família: são os que não têm tempo para escutar, nem para falar e quando falam é bronca. Quantos pais, mães, filhos, surdo-mudos!

Na Bíblia: são os que têm os ouvidos e a boca fechados à Palavra de Deus. São os que não lêem, não escutam, não estudam, não anunciam. Muitos católicos são surdos-mudos!

Há uma oração no Rito do Batismo: O Senhor Jesus que fez os surdos ouvirem e os mudos falarem, te conceda que possas logo ouvir a Palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai.

O Evangelho de hoje nos fala do milagre do surdo-mudo. Jesus tocou os ouvidos e a boca do doente e ele começou a escutar e a falar.

A ação de Jesus, no sentido de abrir o coração dos homens à comunhão com Deus e ao amor dos homens, é uma nova criação. Dessa ação nasce um Homem Novo, uma Nova Humanidade.

A Missão da Igreja é essas pessoas ao encontro com Jesus para que Ele as liberte de seus males.

Peçamos a Cristo, que toque também:

– Nossos Ouvidos para que se tornem sensíveis em escutar sua Palavra;

– Nossos Lábios para que se tornem entusiastas em anunciá-la;

– Nossas Mãos para que nos tornemos generosos em testemunhá-la;

– Nossos Pés para que desperte em nós novo ardor missionário.

Neste mês da Bíblia vamos abrir nossos ouvidos e nossos lábios para acolher e divulgar a Palavra de Deus.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano