Os cristãos e as Eleições 2018

A Diocese de São João da Boa Vista, está promovendo uma conscientização sobre as Eleições 2018, por meio de um folder “Orientação Política”. Leia, reflita e compartilhe com seus amigos. Vote Consciente!

 

ORIENTAÇÃO POLÍTICA 2018

“Alegres por causa da esperança” (Rm 12,12)

O ano de 2018 é um ano muito importante para nós brasileiros. Em outubro, iremos escolher nossos representantes:
presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. Com eles decidiremos o futuro do Brasil. Por isso, a Igreja com sua voz profética, anuncia a esperança do Reino de Deus entre nós, e quer ajudar a todos os seus filhos e filhas a escolher com bastante lucidez os seus verdadeiros representantes, pois, entre o joio e o trigo, é preciso o trigo bom que constrói o país novo que todos sonhamos.
Como recordou o nosso querido Papa Francisco: “Há necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão o seu serviço aos povos, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que sejam abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação”. (Papa aos políticos latino-americanos, 2017).

A Igreja que se sente chamada a ser “advogada da justiça”, dá um passo adiante e reafirma sua esperança na “Nova Política”. Portanto, todos nós filhos e filhas da Igreja, somos chamados, por meio do nosso voto, primeiramente, a
mudar o rumo da nossa nação, para que a nossa Casa Comum, seja, de fato, um lar digno para todos os brasileiros.
Trata-se de um evento muito importante que envolve diretamente todos nós brasileiros. Mais importante que a copa do mundo ou as medalhas olímpicas, as eleições se aproximam e serão o ponto alto para a vida e a história de nossa nação.

1 – Fé e política podem e devem caminhar juntas. A política iluminada pela fé e pelos ensinamentos do Evangelho, e praticada com ética e respeito aos valores humanos deixa de ser um “balcão de negócios”. Torna-se serviço ao “bem comum”.
A “política é a melhor expressão da caridade”, já disseram vários papas; entretanto ela deixa de ser caridade quando serve só a interesses de grupos, ou quando uns se enriquecem às custas do aumento da miséria dos pobres cada vez mais pobres. A política é compromisso de todos, pois ela constitui quem somos, e bem por isso não podemos deixar de tratar dessa questão.

2 – Ser sal, luz e fermento na sociedade brasileira é uma urgência missionária que se impõe a todos os cristãos batizados. Todos já ouvimos falar tanto sobre mensalão, petrolão, lava-jato, escândalos de corrupção e por isso corremos o risco de não querer falar de política nem de políticos. Mas é necessário! Se os cristãos que sabem o significado de “bem comum”, de justiça e fraternidade não participarem, os mal-intencionados vão continuar a deitar e rolar em benefício próprio.

3 – Votar é preciso, porque é um instrumento válido em nossas mãos para que haja a alternância dos que governam.
Com nosso voto exercemos livremente nossa cidadania. No Brasil o voto é obrigatório, de forma que todos os
que têm seu título eleitoral devem votar, exercer sua responsabilidade cidadã e colaborar com a nossa jovem
democracia.

4 – Refletir, pensar e conhecer melhor os candidatos, suas propostas, sua história, seus compromissos e seus aliados, ajudam antes de decidir o voto. Uma decisão apressada pode ser sinal de tragédia antecipada. Alguns eleitores apressados votam, às vezes, sem muita consciência da responsabilidade que é “votar” e dos cargos a que serão incumbidos os eleitos.  Alguns se parecem com Barrabás, pois brigam apaixonadamente pelo seu candidato, mas não conhecem as suas propostas a favor da vida das pessoas. Brigam, criam inimizades e ofendem os que têm pensamento contrário ao seu… Outros são parecidos com Judas, vendem seu voto, sua consciência e sua liberdade por uma cesta básica, um churrasco, um bolo de aniversário… Esses “enforcam” a política. Há os que, como “Pôncio Pilatos”, lavam as mãos, votam por causa de uma propaganda, votam sem pensar nos seus semelhantes, tiram o corpo fora e jogam nas costas de “qualquer um” o cuidado pela pátria. Nesse caso, os inocentes são condenados de novo.

5 – “Constatamos um certo progresso democrático que se demonstra em diversos processos eleitorais. No entanto,
vemos com preocupação o acelerado avanço de diversas formas de regressão autoritária por via democrática que, em
certas ocasiões, resultam em regimes de corte neo-populista. Isso indica que não basta uma democracia puramente formal, fundada em procedimentos eleitorais honestos, mas é necessária uma democracia participativa e baseada na
promoção e respeito dos direitos humanos. Uma democracia sem valores como os mencionados torna-se facilmente
ditadura e termina traindo o povo. (Documento de Aparecida n. 74)
Sabemos e temos a consciência que o nosso país atravessa uma grande crise ética, moral. Nós cristãos podemos ser contaminados com a doença do desânimo e da descrença na política. Aquela “Boa Política”, parece ter dado lugar a “velha política” e suas práticas corruptas. De norte a sul, somos invadidos por notícias de corrupção, onde o agente
público trai a confiança do povo e segue por caminhos obscuros. É preciso reconhecer ainda que está em curso no
nosso país uma grande decepção para com a vida política, onde cresce o distanciamento por parte do povo das ações dos políticos, resultando um espírito de indiferença, desprezo e indignação diante da política. Os escândalos de corrupção, o nepotismo, o não cumprimento das promessas eleitorais, as alianças escusas entre os partidos, o interesse dos poderosos em submeter o povo à mercê de sua dignidade, denuncia a política que deve morrer. Não podemos aceitar enquanto discípulos-missionários de Jesus, a velha política que serve os interesses do capitalismo neoliberal, condenando a imensa maioria do povo a sobreviver entre as gritantes desigualdades brasileiras.
O cristão consciente de sua missão não aceita essa realidade de morte que nos impõe a velha política. Portanto, a
Igreja convoca os seus filhos e filhas a reivindicar a verdadeira política que é exercida através do voto, por meio de eleições livres e diretas. Nós devemos “sonhar caminhando”, praticando a “Boa Política”, vencendo a corrupção, numa grande celebração política de amor, fé e esperança.
Mas, para que a “Boa Política”, nasça entre nós, é preciso que cuidemos de nossa jovem e frágil democracia.
Democracia significa que o poder dos governantes emana do povo, conforme define a nossa constituição federal:
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos diretamente”. Sendo assim, as práticas ilícitas cometidas por parte de nossos representantes, ameaçam a democracia. Não podemos permitir que o nosso maior legado que é o livre pensar seja ameaçado por um Congresso Nacional, antidemocrático e loteado em várias bancadas. Portanto, o cristão é chamado a ser um defensor da democracia. Nessa eleição precisamos estar atentos nas propostas dos candidatos se buscam preservar a democracia, esses merecem nosso voto, pois, a
política na democracia está a serviço do bem comum. Assim, a Igreja que se sente chamada a ser “advogada da justiça”, dá um passo adiante e reafirma sua esperança na “Nova Política”. Portanto, todos nós filhos e filhas da Igreja, somos chamados, através do nosso voto, primeiramente, a mudarmos o rumo da nossa nação, para que a nossa Casa Comum, seja, de fato, um lar digno para todos os brasileiros.

BOM POLÍTICO

  • Assume a política como serviço ao bem comum;
  • Vive a política como diálogo e não como confronto;
  • Possui uma proposta política coerente;
  • Tem conduta ética, respeita e aplica a Constituição;
  • Defende a vida em todas as suas fases;
  • Defende a democracia, pois ditaduras e totalitarismos causam males à humanidade;
  • Tem coração e mente abertos a todos;
  • Promove a justiça social e os direitos humanos;
  • É humano e popular, sem ser populista;
  • Tem sensibilidade ecológica, é inovador, empreendedor e administrador.


7  PECADOS CAPITAIS DO ELEITOR

1. Não votar: sua ausência enfraquece a democracia.
2. Vender ou trocar o voto: é um crime eleitoral. Pena de 4 anos de detenção para o eleitor.
3. Não ter convicção: não mude de opinião por influência da mídia ou amigos. Cuidado com as notícias falsas na internet.
4. Não conhecer: o político, o partido e a coligação.
5. Deixar-se influenciar: pelas pesquisas de intenção de votos.
6. Não respeitar a opinião do outro: considerar inimigo quem pensa diferente.
7. Deixar de acompanhar: controlar e fiscalizar o exercício do cargo do candidato eleito.