27º Domingo do Tempo Comum: A Família que Deus quer

Hoje vemos o ataque aos valores da família. Esta liturgia mostra a família e a dignidade do Matrimônio cristão no Plano de Deus.

Gn 2,18-24: Deus cria Homem e Mulher para se completarem, se ajudarem e se amarem. É a catequese da família: 1) A origem da vida e do ser humano é Deus. 2) A solidão é terrível: Adão domina as criaturas, mas vive na solidão: falta alguém para compartilhar vida e felicidade. Deus preenche sua solidão ao criar a Mulher com a mesma natureza e dignidade. Ao partilhar suas vidas no amor eles tem realização plena. 3) Homem e mulher, iguais em dignidade, são da mesma carne e participam do mesmo destino. Completam-se um ao outro e juntos completam a obra do Criador. Isto exige respeito e que não sejam egoístas nem dominadores. 4) A unidade acontece ao se tornar uma só carne, uma só pessoa, chamados não só a uma fusão de corpos, mas de tudo, de corpo e alma: com seus projetos, sentimentos, ideais, tendências, esperanças, amizades e fé.

Hb 2,9-11 fala do amor de Deus. Deus amou tanto os homens, que enviou o seu Filho único ao mundo. Deus é solidário, partilha as fraquezas humanas, aceita morrer na Cruz e garante que a verdadeira vida está no Amor até às últimas consequências. O casal deve testemunhar, com doação sem limites e entrega total, o amor de Deus pela humanidade.

Mc 10,2-6: Perguntam a Jesus sobre o Divórcio permitido na lei de Moisés em certos casos, para proteger a mulher de abusos do marido. Cristo diz: Moisés permitiu por causa da dureza do vosso coração. Mas desde o começo da Criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não separe. Jesus vê os discípulos perplexos e diz: Quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério. No projeto de Deus homem e mulher que se amam são convidados a viverem em comunhão um com o outro, partilhando e dando-se um ao outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo. O amor assumido diante de Deus e da sociedade deve ser amor eterno e indestrutível, reflexo do amor de Deus pelos homens. Para Jesus, divórcio e poligamia não são de Deus, pois destroem e desfiguram a família que pede unidade e indissolubilidade. Mais que simples norma da Igreja, é Plano de Deus reafirmado por Cristo. O 9º Encontro Mundial das Famílias (Dublin, Irlanda, 22-26/08/18) renovou esta compreensão com o tema O Evangelho da Família: alegria para o mundo.

O Evangelho nos fala das crianças, maiores vítimas da família fragmentada, levadas por suas mães até Jesus para que as abençoe. Os apóstolos impacientes tentam impedir. Jesus diz: Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.

Os esposos não podem pensar só em si e esquecer os filhos. A missão dos pais é repetir o gesto das mães israelitas: levar seus filhos a Jesus para que os abençoe e cresçam na sua escola, conservem a inocência e um dia cheguem ao reino dos céus, preparado para elas.

Os divorciados: a Igreja os acolhe, acompanha, discerne e integra, pois os compreende e os ajuda nas situações que os impediram de viver o projeto de Deus. Existe felicidade na família se houver comunhão entre esposos, filhos e com Deus. Rezemos para que nossas famílias sejam a família que Deus quer: santuário da vida e berço do Amor e da Fé. Que a Família seja alegria para o mundo.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano