31º Domingo do Tempo Comum: Caminho da Santidade

Ao rezar o Creio professamos: Creio na Comunhão dos Santos. Esta festa de Todos os Santos aprofunda essa Verdade. Vejamos os textos bíblicos:

Ap 7,2-4.9-14 nos garante que os Santos são muitos. 144.000 é número simbólico: 12×12 mil significa todo povo de Israel e mais uma grande multidão de todos os povos e línguas. O Caminho da santidade está aberto a todos que vivem os valores do Reino.

1 Jo 3,1-3 afirma que somos Filhos de Deus: o Amor de Deus como Pai nos transforma em filhos e nos chama a viver como irmãos. Ser Santo é viver em comunhão com o Pai e o Filho.

Em Mt 5,1-12, Cristo nos aponta o caminho para ser Santo: Viver as Bem-aventuranças.

Quem são os santos: Para muitos, Santos são pessoas já mortas, que realizaram no passado fatos surpreendentes na vivência da fé. Pessoas privilegiadas que já nasceram santas, milagreiras, declaradas santas pela Igreja e hoje homenageadas em nossos altares.

Na Bíblia, o título de santo era só para Deus como rezamos no Glória: Porque só vós sois santo.

Em Cristo repousa o Espírito de Santidade. Ele irradia a Santidade de Deus e transmite a sua santidade à Igreja por meio dos Sacramentos, que trazem ao homem a vida de Deus.

Esta doutrina era tão viva nos primeiros séculos, que os membros da Igreja não hesitaram em chamar-se os santos e a própria Igreja era chamada de “Comunhão dos Santos”.

A santidade cristã manifesta-se, assim, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja oferece, em particular com os Sacramentos.

A Santidade não é fruto do esforço humano que alcança Deus com suas forças, é Dom de Deus e Resposta do homem à iniciativa de Deus. É graça recebida e tarefa a cumprir.

Santidade não é realidade do passado vivida por pessoas privilegiadas. Santos são pessoas como nós, que vivem a santidade de Deus, pelo testemunho de fé e fidelidade ao projeto de Jesus; homens e mulheres que, segundo o espírito das Bem-aventuranças, lutam para serem justos, pacificadores, pobres e compassivos, puros de coração. Pessoas de todo o tipo, desde o bom ladrão que se salvou no fim por um gesto de solidariedade com o companheiro de Cruz, até vidas inteiras dedicadas ao próximo. Ninguém é santo após a morte, se não o foi em vida.

A Festa de hoje tem duas realidades: 1) O Mundo da Santidade, imenso, maravilhoso, onde os santos são inumeráveis, onde muitos são nossos parentes, nossos amigos, gente grande e crianças que conhecemos, mundo feliz realizando-se na vida de trabalho e sofrimento, de sonhos e realizações, mundo de portas abertas, que cresce sem parar, e, cada dia que passa, vê chegar novos eleitos. 2) A Nossa vocação à Santidade: o mundo dos santos não é estranho para nós, pois todos somos chamados à Santidade, chamados a alcançar no mundo a plenitude da vida através da íntima união com Deus, fonte de toda a vida. Todos os cristãos são chamados pelo Senhor à perfeição da santidade. (LG31)

O Objetivo da Festa é homenagear os Santos que morreram no Senhor, conhecidos ou não, e apresentar o ideal da santidade como possível hoje, e desejado por Deus: Esta é a vontade de Deus, a nossa Santificação. (1 Ts 4,3) Neste ano, o Papa escreveu a Exortação Apostólica Alegrai-vos e exultai, apresentando a santidade para todos. A Santidade é participar da vida de Deus, que é o Santo. E sendo nós pecadores, supõe um processo de conversão permanente. Para sermos santos, Cristo nos deixou alguns meios: a Igreja, os Sacramentos, a Oração, a Palavra de Deus. A família que dedica tempo para a Oração e a Palavra de Deus colhe frutos de santidade. Acolhamos este apelo de Deus à Santidade! Que os Santos sejam nossos modelos e intercessores!

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano