Iº Domingo do Advento (Ciclo C): Tempo de Esperança

O Advento inicia o ano Litúrgico que celebra os mistérios da fé, da Salvação e se apóia em duas colunas, Natal e Páscoa, com 3 momentos: preparação (Advento e Quaresma); celebração (Natal a Epifania; Páscoa a Pentecostes); prolongamento (domingos do tempo comum).

Advento, tempo de esperança, celebra: Um fato passado: Vinda histórica de Cristo prometida a Abraão, lembrada pelos profetas, esperada pelo povo, realizada em Belém. Um fato presente: Vinda de Jesus presente na Igreja, na Palavra, Eucaristia e irmãos. Um fato futuro: A segunda vinda, no fim do mundo. A liturgia fala de um novo tempo marcado de esperança e de alegria:

Em Jr 33,14-16, olhamos para o Passado. Após um longo exílio, o Povo, cansado e abatido, retorna para a sua terra, mas encontra tudo destruído, precisa recomeçar tudo de novo. O profeta Jeremias proclama a chegada de dias melhores; recorda as promessas de Deus, elimina a saudade do passado, o medo do presente e instaura o clima da Esperança. Surgirá um descendente de Davi que trará paz e salvação. O rebento esperado é Jesus de Nazaré. Com ele teve início o Reino de Paz e Justiça. Mas, a construção desse mundo novo não termina com o seu nascimento de Cristo, mas pede mais tempo, nossa ajuda e empenho.

Em 1Ts 3,12-4,2 vemos o Presente. Paulo lembra que a melhor maneira de esperar a vinda do Senhor é crescer no amor recíproco. Sem esse amor, é vazio o Advento e o próprio Natal.

Em Lc 21,25-28.34-36, vemos o Futuro. Os últimos dias da vida terrena de Jesus anunciam tempos difíceis de sofrimento, perseguição. Em linguagem apocalíptica, a segunda vinda de Cristo, com sinais catastróficos, não é um quadro do fim do mundo: as imagens dos profetas falam do dia do Senhor, quando Ele vai intervir na história para libertar o seu Povo.

A intenção é reavivar a Esperança pelo novo dia que surgirá e motivar a Vigilância para reconhecer e acolher o Senhor que vem. ‘Fiquem de pé e levantem a cabeça, pois a vossa libertação está próxima’. O Evangelho ensina a não esperar passivamente a vinda do Filho do Homem. É preciso estar atento a essa salvação oferecida e aceitá-la. É necessário reconhecer Jesus que vem nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação. É preciso ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Jesus, deixar que ele nos transforme o coração e se faça vida em nossos gestos e palavras. É preciso ter presente, que este mundo novo está em construção e que depende de nossa resposta.

Como preparamos o Natal? Só com presentes, enfeites, músicas e festas, comes e bebes, ou preparamos um Natal verdadeiramente cristão, vivido num Clima de:

Oração: na Comunidade, a liturgia do Advento; nas famílias, a Novena de Natal…

Vigilância para perceber os sinais da presença de Deus; por Deus em primeiro lugar; ler a realidade com o olhar voltado à eternidade; crer que o Reino de Deus está presente entre nós. O perigo: Não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e preocupações da vida.

Esperança: Advento é participar de uma espera profunda de todos os homens pela vinda de Deus. De cabeça erguida apesar dos problemas que nos cercam.

Conversão: preparar o presépio e o coração. Natal cristão existe se Cristo vem ao coração. Senão, sua vinda é inútil se não removemos a bagagem inútil que impede caminhar para Cristo.

Como há dois mil anos em Belém, Cristo busca um lugar em nossa casa, em nosso coração.

 

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano