VIº Domingo do Tempo Comum: a Felicidade

Todos querem ser felizes. O próprio Deus colocou no coração do homem um desejo íntimo de felicidade. (CIC 1718) Mas, o mundo confunde felicidade com a segurança da riqueza, do prazer, do poder, do sucesso e da fama. Então, qual é o caminho para ser feliz? A liturgia mostra dois caminhos: um leva à realização, e o outro leva à decepção.

Jr 17,5-8 começa assim: Infeliz o homem que confia no homem! É um alerta para não buscar segurança só nas propostas humanas, não confiar demais nas pessoas, para não ter ilusões; não confiar demais em nós, para não cair na auto-suficiência; não confiar demais nas coisas, para não produzir frustrações. O texto nos aponta o caminho certo: Feliz o homem que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. É como a árvore plantada à beira da torrente, nunca deixa de dar frutos. Só Deus é a fonte segura de felicidade e de vida plena. O Salmo 1 reforça a ideia: É feliz quem a Deus se confia!

Na 1Cor15,12.16-20 Paulo diz que é feliz quem põe esperança no Cristo Ressuscitado. A ressurreição dá sentido à nossa vida e à nossa fé, e é garantia de nossa Ressurreição.

Em Lc 6,17.20-26 o caminho da felicidade de Jesus são as Bem-Aventuranças. Lucas indica para os discípulos quatro Bem-aventuranças e quatro Advertências. Para o mundo feliz é quem têm dinheiro e poder, para Jesus feliz é o pobre que tem Deus como sua riqueza e maldito é o ganancioso que se apega em seus bens.

  1. As Bem-aventuranças: – Bem-aventurados vós os pobres, pois vosso é o Reino de Deus! Os discípulos deixaram tudo para seguir Jesus. Não puseram a segurança nos bens materiais. Eles são bem-aventurados! Para eles chegou o Reino de Deus!

Bem-aventurados vós que tendes fome, que chorais, que sois perseguidos. A Bem-aventurança vai além da situação de pobreza, de fome, de lágrimas e perseguição, pois é a vinda do Reino que transforma essas situações dolorosas até fazê-las desaparecer.

  1. As maldições: Ai de vós que ricos, fartos, elogiados, que rides, enquanto tantos choram. – Os que têm o coração cheio de orgulho e auto-suficiência se colocam numa situação que impede a aceitação da riqueza oferecida por Deus.

As Bem-aventuranças mostram o que Jesus disse no início da sua missão, na sinagoga de Nazaré: Ele foi enviado pelo Pai ao mundo para evangelizar os pobres e libertar os oprimidos.

As Advertências aos ricos não significam que Deus não queira a sua salvação; mas significam que, se continuarem a lógica do egoísmo e da injustiça, eles não têm lugar no Reino que Jesus propõe.

A nossa felicidade depende de onde é colocada a nossa segurança: se é em Deus, ou nos amigos influentes; em Deus ou no dinheiro que temos na poupança; em Deus ou nos bens materiais que possuímos; em Deus ou no poder que exercemos; em Deus ou na posição social que ocupamos; em Deus ou no luxo e no conforto que construímos; em Deus ou nos elogios e homenagens que recebemos.

Só Deus pode saciar plenamente a nossa fome de felicidade!

Feliz não é quem possui os tesouros da terra.

Feliz é quem faz de Deus o seu verdadeiro Tesouro.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano