VIIº Domingo do Tempo Comum: Amar como Deus ama

A liturgia de hoje nos desafia a ser espelho de Cristo. Adão representa o passado. Cristo resgata o presente e nos abre à espera para o futuro.

1 Sam 26,2.7s.12s.22s – Davi teve em suas mãos o poder para matar Saul que o perseguia, mas foi digno e não o fez. Davi podia fazer o mal mas fez o bem. A moral da história é que isto fez Davi superior a Saul e o tornou capaz do cetro real.

ICor 15,45-49 – Paulo mostra que Jesus é superior a todos. O primeiro homem, Adão, é alma vivente, o último Adão é espírito que dá vida. Adão nasce do pó da terra, recebe vida e é destinado à morte. Cristo, porém, tem o espírito que dá vida. Cristo dá início à nova criação, à nova humanidade, que traz a marca da Ressurreição, que reumaniza o ser humano e o faz viver para Deus. A humanidade que vem de Adão é terrestre. A humanidade redimida em Cristo é celeste, e se transforma no que Cristo é, e pode afirmar com Paulo: Já não sou eu que vivo; é Cristo que vivem em mim. (Gl 2,20)

Lc 6,27-38 – As palavras de Jesus sobre o Reino de Deus, sobre as coisas celestes, nos levam a renovar nossas relações interpessoais. O que fazemos aos outros é o que nos define diante de Deus. Seguir Jesus, ser discípulo, é ser misericordioso com todos, é romper com a espiral da violência. O amor aos inimigos caracteriza o discípulo de Cristo e o faz capaz de novas relações, e de cuidar do outro: Tratem as pessoas como vocês gostariam que elas tratassem vocês (v.31). A misericórdia nos faz ver as pessoas com os olhos de Deus, nos abre à amorização das relações, transforma inimigos em amigos. Este texto, à luz das bem-aventuranças, nos propõe três coisas: amar, perdoar e não julgar.

  1. Amar os inimigos significa amar a todos, não só os irmãos, parentes e amigos. O que distingue o cristão é o amor aos adversários. Jesus nos diz: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis. Até os pecadores amam os que os amam.
  2. Perdoar é próprio de quem ama. Quem não sabe perdoar não sabe amar. Temos sempre algo para perdoar e ser perdoado. Jesus nos diz: Perdoai e sereis perdoados!
  3. Não julgar. Jesus nos ensina: Não julgueis e não sereis julgados! Só Deus pode julgar, pois conhece as intenções de cada um. Não julgar, porém, não significa não corrigir alguém. A correção fraterna traz luz e força a quem errou. Julgar e condenar faz o contrário: traz confusão e desânimo a quem está no erro.

O otimismo cristão acredita que toda pessoa é capaz de ser melhor. Dom Bosco, inspirando-se em São Francisco de Sales, chegou a afirmar: Em todo jovem mesmo no mais rebelde, há sempre um ponto acessível ao bem; nosso primeiro dever é descobrir este ponto, esta corda sensível do coração e tirar proveito disto (MB V, 367). Ele dizia: Não adianta nada ficar lamentando os males. É preciso arregaçar as mangas e fazer de tudo para eliminá-los.