VIII Domingo do Tempo Comum: O tesouro do coração

A liturgia de hoje aprofunda nosso modo de ser discípulos de Cristo a ponto de dizermos como Paulo: Não sou que vivo, é Cristo que vive em mim (Gl 2,20).

Ecl. 27, 5-8 sublinha os frutos gerados pela razão, pela palavra e pelos sentimentos. As coisas que nos entristecem devem passar pelas provas da peneira, do forno e dos frutos. A peneira seleciona as coisas, o forno as purifica e os frutos revelam o que foi plantado e cultivado. Antes de julgar algo a respeito das pessoas e suas ações exteriores, é preciso refletir melhor a partir de dentro. O ser humano dá frutos de acordo com as sementes que ele planta em seu coração.

I Cor 15,54-58 afirma nossa fé na Ressurreição como fundamento da vida cristã. A morte foi afogada na vitória. A vida nova já começou. A morte já não tem força, pois o pecado que a produzia já foi vencido e destruído. Esta vitória é graça de Deus em nossa história por meio de Jesus Cristo. Viver em Cristo e caminhar em Cristo é cultivar obras de vida nova.

Em Lc 6,39-45 Jesus nos ensina a humanizar nossas relações pessoais para viver a vida nova que Ele nos dá. Ele anuncia a boa nova do Reino e nos mostra suas exigências para o cuidado do próximo. Os discípulos são chamados a guiar outras pessoas. Mas, para isso Jesus nos ensina o caminho para guiar os outros e a direção a seguir.

– Um cego não pode guiar outro cego. Se o guia não vê seus próprios defeitos não pode orientar os outros. Jesus nos alerta para não reparar o cisco nos olhos dos outros, mas, antes, observar a trave que existe em seu próprio olho. Quem não vê em si mesmo o seu erro, mas vê o do outro, é chamado a superar as próprias falhas para ter condições de ajudar os outros.

– O discípulo não é maior do que seu mestre, pois depende de seu mestre para seguir adiante.

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. A pessoa mostra coerência com o bem, fazendo o bem.

A pessoa boa tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. É do tesouro do seu coração, do seu íntimo, que a bondade se revela.

– Neste sentido, Jesus lembra: A boca fala do que o coração está cheio.

Estas expressões nos mostram que se cultivamos sempre o que é bom, colhemos sempre coisas boas. É das pequenas coisas que se vai às grandes. Cultivando pequenas coisas, no dia a dia, aos poucos podemos sentir as grandes coisas que Deus nos prepara. Os frutos, mais dia menos dia, se manifestam e são conhecidos.

Nesta quarta-feira de Cinzas começamos a Quaresma, tempo de conversão e penitência, tempo de oração, jejum e caridade. Vamos viver intensamente a caridade, partilhar nossos dons, em especial com os mais pobres e necessitados.

Para isso, a Igreja no Brasil, com a Campanha da Fraternidade, quer ajudar a viver em profundidade a vida cristã, e praticar mais e mais o amor a Deus e aos irmãos. Neste ano de 2019, o tema escolhido é: Fraternidade e Políticas Públicas. E o Lema é: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27)

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano


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