Quaresma, tempo de misericórdia e fraternidade

Em todas as fases de nossa vida, vivemos momentos de felicidade ou de sofrimento. Nossa história é marcada por desafios, conquistas, vitórias, fracassos, acertos e erros. Quantas vezes, na convivência familiar, no trabalho, na escola ou na comunidade de fé, sentimo-nos tristes. Não sabemos o que fazer, nem mesmo para onde ir. Deixamos de rezar. O pecado nos domina. Dizemos palavras duras aos nossos irmãos. Machucamos aqueles que estão mais próximos de nós. Se levarmos tudo “a ferro e fogo”, não teremos amigos; não cresceremos na vida espiritual; caminharemos sem saber o ponto de chegada.
São Francisco de Assis, em sua oração, dizia: “Onde houver ofensa, que eu leve o perdão”. Esse é o convite que Jesus nos faz todos os dias, especialmente nesse tempo de conversão. Ele derrama sua graça sobre nós e chama-nos para uma vida de santidade, amor e misericórdia. Jesus, na oração do Pai-nosso, ensina-nos a rezar: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. No Catecismo da Igreja Católica aprendemos que “o mar de misericórdia não pode invadir nosso coração enquanto não tivermos perdoado aos que nos ofenderam. O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: não podemos amar o Deus que não vemos, se não amamos o irmão, a irmã, que vemos. Recusando-nos a perdoar nossos irmãos e irmãs, nosso coração se fecha, sua dureza o torna impermeável ao amor misericordioso do Pai” (CIC 2840).
Que nesse tempo quaresmal, a nossa Diocese possa se preparar para a celebração dos mistérios pascais, unida à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que incentiva todas as paróquias e comunidades a refletirem sobre a Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1,27). Queremos ser perdoados? Perdoemos a quem nos magoou! Desejamos ser amados? Amemos sem medida! Sonhamos com a felicidade? Esforcemo-nos para que nossos irmãos sejam felizes, vivendo a paz, a justiça e a fraternidade.

Texto publicado no Jornal A Voz da Diocese