Campanha da Fraternidade enfoca Direito e Justiça

A Campanha da Fraternidade (CF) teve seu início precisamente no ano 1961, quando três padres, responsáveis pela Cáritas do Brasil, tiveram a ideia de angariar fundos com fins assistenciais. A partir desta iniciativa, motivada pelo Concílio Vaticano II, o projeto foi ganhando força até ser lançado pela CNBB em 1964 como uma provocação nacional, a começar de dentro da própria Igreja, cujo tema era “Igreja em Renovação”.
O objetivo atual da CF é estabelecer um diálogo da Igreja com o mundo para propor uma reflexão, a partir da Palavra de Deus, que ilumine a realidade humana e crie condições de vida e dignidade para todas as pessoas, principalmente aquelas que se encontram à margem da sociedade. É um olhar para o mais vulnerável que não tem “vez nem voz”, partindo do direito e da justiça para se estabelecer o bem comum.

A CF 2019 propõe o tema “FRATERNIDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS”, e inspira seu lema no profeta Isaías: “SERÁS LIBERTADO PELO DIREITO E PELA JUSTIÇA” (cf. Is 1,27).

O profeta Isaías nasceu por volta dos anos 765, quando seu país (Judá) vivia sobre constante ameaça da Assíria. Também a prosperidade levava à corrupção moral que não mais protegia os pobres e miseráveis, representados pelos órfãos, viúvas e estrangeiros.
A CF baseia-se no profeta Isaías porque o povo estava esquecido, como também encontramos a mesma realidade em nossa sociedade que vive uma meritocracia, ou seja, aqueles que conseguem um bem estar julgam-se merecedores destes bens, excluindo do bem comum os que não tiveram as mesmas oportunidades ou porque são vítimas da exploração e do egoísmo.
A voz profética continua a ser proclamada na sociedade, mas muitos estão surdos pelo desinteresse, pelo comodismo ou pela ignorância. Por isso a CF conclama com voz profética para que os bons, ou que pelo menos assim se julgam, assumam as políticas públicas, façam valer o direto e a justiça participando dos diversos conselhos municipais, estaduais e federais (educação, saúde, da criança, do idoso, da assistência social, etc) e coloque em prática a Constituição de 1988, também chamada de “Constituição Cidadã”. Esta é a melhor forma para impedirmos os avanços da má distribuição dos recursos públicos, da corrupção e da imoralidade social que impedem que as pessoas em estado de vulnerabilidade possam gozar do bem comum.
O objetivo da CF deste ano também é provocar aos cidadãos (ãs) a assumirem as Políticas Públicas e que, embora estas também dependam daqueles que fazem parte da política partidária, pois passa por esta esfera, é uma ação que todo(a) e qualquer cidadão(ã) deve assumir, inclusive levando à reflexão sobre a desaprovação generalizada à política partidária que vive por si mesma e não em defesa da população.
As Políticas Públicas representam o verdadeiro poder do povo que obriga os governantes, onde muitos somente se lembraram do povo na hora do voto, a agir como representantes do povo e não dos partidos, nem das políticas de mercado e nem dos interesses exclusivos do governo.
Que a Virgem Aparecida, mulher comprometida com o povo sofredor, interceda por todos os cidadãos e cidadãs de bem para que, como Isaías, lutando pelo direito e pela justiça façam acontecer o bem comum, sinal de que o Reino de Deus já chegou entre nós.

Pe. Marcelo Max Grespan
Coordenador Diocesano da Campanha da Fraternidade
Pároco da Paróquia Santo Antônio – Santo Antônio do Jardim – SP