Agentes da esperança!

Neste tempo das festas pascais, renovamos nossas alegrias, nossa fé e nossa esperança ao celebrar a vitória de Cristo sobre a morte, o mal e as suas feições que, vez ou outra, assustam nosso povo e brecam o progresso da humanidade. Assim como “uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce”, em nossos tempos vemos um modo de comportamento que visa acelerar e acirrar as divergências de pensamento que chegam ao extremo de levar grandes amizades ao abismo de irreconciliáveis inimizades. Falamos de liberdade de expressão, mas nem sempre respeitamos os que pensam diferente, apregoamos liberdades, mas nem sempre as pessoas são respeitadas em seu modo de pensar, agir, rezar. A intolerância religiosa cresce a cada dia e parece insuflada por pessoas que aparentemente defendem liberdades individuais.

Em pleno domingo de Páscoa, igrejas são atacadas por homens bomba com interesse puro e simples de matar os que estavam rezando e celebrando o amor levado ao extremo, amor inclusive para com os agressores. Novos mártires de nossos dias, vítimas de um sentimento inexplicável de desequilíbrio manipulado por gente esperta que não dorme em serviço e busca poder a todo custo. A imprensa mundial noticiou o fato, as Nações Unidas não convenceram ao manifestar pesar e não condenar o terrorismo e os que o financiam, a mídia em geral calou-se a respeito do injusto morticínio como que cruzando os braços para que rapidamente todos se esqueçam. Todavia, ao mal se paga com o bem para que o mal não se alastre.
“Se alguém está em Cristo, é nova criatura”, afirma São Paulo, e os cristãos que vivem da ressurreição de Cristo têm a grave responsabilidade de transformar o mundo. Se vivemos da vida nova do Ressuscitado, não podemos deixar que o mundo em volta de nós ainda preso na morte das injustiças, violência, intrigas, discórdias. É preciso ressuscitar o mundo a partir da transformação do nosso modo de ser, pensar e agir. Ainda que demore, não podemos desistir. Mudança de comportamento não acontece por decreto, mas com uma decisão de cada um de nós em evitar o que é injusto e mal. Tanta coisa pode mudar se nós nos enchemos de esperança e colaboramos nessa obra de transformação da sociedade! Tudo o que cobramos das pessoas, dos políticos e das autoridades para que sejam honestos, bem intencionados, pensem no bem para todos e não pensem somente em si, essas exigências devem ter sua origem em cada um de nós. A partir do nosso agir, vamos realizar uma nova forma de relacionamentos com nossos semelhantes.

O mesmo vale para a política. O mundo da política só vai melhorar substancialmente quando nós participarmos mais. Não falo de participar de partidos políticos, mas de acompanhar o que os políticos fazem, dar opinião, discutir projetos, nos fazer ouvir. Se há maus políticos deve ser porque os bons se omitiram. Durante a campanha da fraternidade éramos chamados a esse tipo de participação que transforma a vida e a sociedade. Somos agentes da esperança, distribuidores da vida nova do Ressuscitado! Mãos, braços, pés, mentes e corações à obra!

Pe. João Paulo Ferreira Ielo
Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu