A Eucaristia e a Igreja de Cristo

Existe um ditado popular que diz: “política, futebol e religião não se discutem”. Querendo dizer que cada um tem a sua opinião, e não importa o que possamos falar ou debater ninguém deixará suas convicções. Como padre, ouvi muitas vezes a expressão: “religião é tudo igual, o importante é participar de alguma”. Ouvir isso de um irmão de uma outra igreja é compreensível, mas quando ouço isso de católicos fico com uma certa tristeza no coração. Pergunto-me: será que compreendem a beleza e a grandeza da Igreja Católica? É verdade que muitas vezes a beleza da Igreja está encoberta por escândalos e pecados de seus membros. Muitas vezes parece que a nossa incoerência de vida apequena a grandeza da Igreja. Porém, não podemos esquecer que a beleza e a grandeza da Igreja estão naquele que a constituiu doando inteiramente a sua vida para a nossa salvação: Jesus!
Lendo as Escrituras podemos constatar que Jesus antecipou a doação da sua vida na cruz na última ceia com seus discípulos: “Isto é meu corpo… isto é meu sangue” (Mt 26,26-29). E nos deu uma ordem: “fazei isto em minha memória” (Lc 22, 19). Jesus institui o sacramento da Eucaristia, que é a sua presença viva e real, presença que se perpetua ao longo dos séculos na Igreja Católica até o dia em que o Senhor voltar. Por que sou católico? Dentre muitas respostas que poderia dar a essa pergunta uma das mais eloquentes, sem sombra de dúvidas, é porque da Igreja Católica recebo o corpo e o sangue de Cristo. O Papa Bento XVI nos diz que ser cristão não é tanto a escolha de uma doutrina, mas é o encontro com uma pessoa, é o encontro com Jesus (Deus caritas est, 1). É a relação com Jesus que nos faz seus discípulos. Sabemos que podemos nos relacionar com as pessoas de diversas maneiras. Podemos ter relacionamentos profundos em que conhecemos mais a vida do outro e nos comprometemos, ou podemos ter relacionamentos superficiais. Podemos nos relacionar com pessoas por telefone, por whatsapp, à distância. Ou podemos querer o contato pessoal, olhar nos olhos, partilhar a vida. A maneira como nos relacionamos com uma pessoa mostra o grau de comprometimento que temos com ela.
Jesus quer estar em uma relação profunda e comprometida conosco. Agora depende de nós queremos o mesmo em relação a Ele. No evangelho de João nós não temos a narração da instituição da Eucaristia, mas temos um longo discurso de Jesus sobre o pão da vida no capítulo 6. Em João 6,56, Jesus diz: “Quem come minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele”. A Eucaristia é a união mais profunda que podemos ter com Jesus. No capítulo 6 de João fica claro que a presença de Jesus no pão e no vinho não é figurada, não é apenas um símbolo, é real. Jesus está presente na Palavra, no irmão, mas a Eucaristia é Jesus. E isso para nós católicos é uma graça sem limites, e muitas vezes não nos damos conta desse imenso dom. Por isso que um católico nunca pode dizer que igreja é tudo igual. E dentre tantas diferenças entre as igrejas, a maior delas é a Eucaristia, Deus nos deu Jesus presente realmente nas espécies do pão e do vinho, que são o corpo e o sangue de Cristo. No dia 20 de junho celebraremos o Corpus Christi, e quando estivermos nas ruas de nossas cidades adorando e manifestando publicamente o nosso amor à Eucaristia, lembremos que estamos celebrando a solenidade do sacramento que nos une a Cristo de uma maneira inimaginável e que temos que ser gratos a Deus por esse presente preciosíssimo do seu Corpo e do seu Sangue.

Pe. Ramiro Marinelli Duarte