XXVI Domingo do Tempo Comum: Lázaros de hoje

O dia da Bíblia nos lembra que a Comunidade é o lugar para ler e acolher a Palavra de Deus.

A Liturgia de hoje convida a ver os bens desse mundo, como dons que Deus colocou em nossas mãos, para que administremos, com gratuidade e amor.

Am 6,11-16 denuncia os ricos e poderosos do seu tempo, que viviam no luxo e na fartura, explorando os pobres, sem olhar a miséria e a desgraça de muitos. O Profeta diz que Deus não aprova essa situação. O castigo chegará em forma de exílio em terra estrangeira.

As denúncias de Amós são atuais: povos gastam fortunas matando gente em guerra, e outros morrem de fome por não ter o que comer. Quantos vivem na abundância, enquanto muitos morrem na miséria. Muitos satisfazem seus caprichos e sacrificam seus familiares.

Em 1Tm 6,10-16, Paulo denuncia a cobiça: o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

Lc 16,19-31, mostra o julgamento de Deus sobre a distribuição das riquezas. A Parábola do homem Rico e do pobre Lázaro tem 3 quadros: 1) A situação de vida do homem rico e do pobre Lázaro; 2) A troca de ambos após a morte; 3) O diálogo entre o rico e Abraão: Pai Abraão, se alguém entre os mortos for avisar meus irmãos, certamente vão se converter. Se não escutam a Moisés, nem aos profetas, mesmo se alguém ressuscitar dos mortos, não acreditarão.

A morte de ambos reverte a situação: quem vivia na riqueza se vê em tormentos, quem vivia na pobreza está na paz de Deus. Esta Catequese antecipa o amanhã para que valorizemos o presente. O rico não é condenado por ser rico, mas por negar Deus. O pobre se salva por confiar em Deus e na Salvação. Não foi a pobreza que levou Lázaro ao céu, mas a humildade. Não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no seio de Abraão, mas seu egoísmo e a falta de solidariedade com o próximo.

Na Parábola, o pobre tem nome, o rico não. E na Comunidade, os pobres têm nome?

Escutem Moisés e os profetas! Esse aviso é o alerta do mês da Bíblia. Falar em Moisés e os Profetas, no tempo de Jesus, é falar das Escrituras, da Bíblia. Assim, Jesus diz que não precisamos de aparições do além, de videntes ou prodígios. A Bíblia é a única Revelação segura em que se deve acreditar. Ela ilumina nosso caminho. Seguindo essa Luz, teremos, na terra, solidariedade e fraternidade e, na outra vida, um lugar junto de Abraão, e acolhida na casa de Deus.

Podemos encontrar a Palavra de Deus na Catequese, Liturgia, na Leitura Orante da Bíblia e Grupos de Reflexão, nos Cursos de formação, na Leitura pessoal. Escutar Moisés e os Profetas, o Evangelho, favorece o desapego e abre os olhos às necessidades dos irmãos.

Hoje, os pobres Lázaros estão nas ruas, na TV, e continuam sem migalhas que sobram dos ricos que esbanjam fortunas: do salário mínimo irrisório e a aposentadoria miserável, aos que recebem super-salários e causam desvios. Hoje, milhões de Lázaros nos indicam o caminho da salvação se nos colocarmos ou não a seu serviço. E o alerta se repete: Há um abismo que nos separa, e não haverá mais volta. Após a morte, a situação será irreversível. Como superar esse abismo que nos separa? Abismo que não foi construído por Deus, mas pelos homens, abismo que começa agora e se prolonga no além.

A Eucaristia nos faz vencer esse abismo, através da verdadeira Comunhão que começa agora (na Igreja, família e sociedade) e se prolonga por toda a eternidade junto de Deus.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano