XXVII Domingo do Tempo Comum: Temos Fé?

Aqui estamos reunidos pela que temos e que viemos alimentar e fortalecer. O que é a fé? Como se expressa? Nos tempos de desânimo e impaciência, questionamos tudo e todos, e a nossa fé, até dizendo: Vale a pena crer? O Mês das Missões convida a renovar a fé e nosso ardor missionário para anunciar o Evangelho. Ouçamos a Palavra de Deus:

Habacuc 1,2-3.2,2-4 conta sua experiência de fé. Diante de tanta violência e corrupção no meio do povo, ele se queixa impaciente: Até quando, Senhor? E o Senhor o exorta a não desanimar, pois Ele intervirá no momento oportuno: O justo viverá por sua fé!

Muitas vezes não conseguimos entender porque Deus permite tantas coisas absurdas. Nessas horas, como Habacuc, reclamamos: Por quê? Até quando?

A fé ajuda a compreender o Mistério da História e a superar dificuldades e contradições. Confiar em Deus, mesmo quando ele parece ausente, nos faz sentir sua ação salvadora.

Em 2Tm 1,6-8.13-14, Paulo convida Timóteo, cansado e preocupado pelas adversidades (com Paulo preso e apóstolos morrendo): Reaviva o Dom de Deus que recebeste! Este convite reaviva nossa fé, para anunciá-la de todas as formas e em todos os lugares.

Em Lc 17,5-10, Jesus diz que a fé remove os obstáculos. Indo a Jerusalém, Cristo propõe a seus seguidores um caminho difícil. Os Apóstolos vacilam e querem voltar atrás, como muitos fizeram. Preocupados, pedem ao Senhor: Senhor, aumentai a nossa fé! Jesus responde: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, poderíeis dizer a essa amoreira, arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria! A Fé realiza o que aos olhos dos homens parece impossível. A fé autêntica, mesmo pequena, supera os maiores obstáculos.

O que é a Fé? É um dom gratuito de Deus que é Luz e Força na vida. Não a conquistamos por méritos, mas exige resposta viva e atuante: A fé sem obras é morta! (Tg 2,17) Fé e Vida vão juntas. A fé, mesmo pequena, cresce e se torna forte pelo cultivo da oração, da participação na comunidade, da prática da caridade e justiça, pela vivência fraterna e solidária.

Fé não é só adesão intelectual a verdades da catequese, a ritos de religiosidade popular. Não é um recurso para conseguir algo; é adesão de vida ao Projeto de Deus; é encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo; é aceitar realizar o Plano de Deus em nós, e fazer a sua vontade; é olhar o mundo, os fatos, as pessoas, com o olhar de Deus; é uma entrega total e gratuita, sem esperar direitos e privilégios. Fé não é ter Deus a serviço; é servi-Lo, dóceis e obedientes à sua palavra. Nosso serviço e nossa fidelidade ao Senhor são de filhos e não de escravos ou empregados.

Podemos ter duas tentações:

1. O Desânimo de sentir-nos pequenos, incapazes, inúteis, e largar tudo.

2. Considerar-nos necessários ou merecedores, vendo Deus como Contador que contabiliza créditos e débitos para pagar conforme os méritos.

Para apagar essa imagem de Deus e da Religião dos merecimentos (dos judeus e nossa), Jesus contou a parábola do Servo que volta da roça: Quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer.

Por isso, no mundo descrente em que vivemos, não fiquemos desanimados ou preocupados, mas, sim, com a firme Esperança de que o justo viverá pela sua Fé. E se nossa fé for ainda pequena, menor do que o grão de mostarda, façamos nosso o pedido dos Apóstolos: Senhor, aumentai a nossa fé!

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano