XXIX Domingo do Tempo Comum: O poder da oração

A Liturgia nos convida a perseverar na oração. Só assim é possível aceitar os projetos de Deus, compreender seus silêncios, respeitar seus ritmos e acreditar no seu amor.

Em Ex 17,9-13, Moisés não desiste de rezar. O Povo de Deus caminha para a Terra Prometida. Josué, com os seus, luta contra os inimigos com armas. Moisés, de mãos erguidas, usa a arma da Oração, no alto da colina. Duas pessoas sustentam os braços cansados de Moisés. A vitória aconteceu muito mais pelo auxílio de Deus, do que pelo valor dos combatentes.

Nas lutas da vida, contamos com a força de Deus. Como Moisés, devemos manter as mãos sempre erguidas em oração, sem nos deixar vencer pelo cansaço.

Em 2Tm 3,14-4,2, Paulo indica uma fonte que alimenta a Oração: a Sagrada Escritura. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, preparado para toda a boa obra.

A Bíblia é o fundamento da fé e a força das comunidades, sustenta o homem de Deus e os ministros da Palavra, que com boa preparação, se torna atraente e chega ao coração dos ouvintes.

“Jeito especial de ler a Bíblia é a Leitura Orante da Bíblia. Ela leva ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo.” (DA 249)

Em Lc 18,1-8, para mostrar a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, Jesus conta uma parábola: Uma viúva injustiçada pede justiça, mas o juiz não lhe dá ouvidos. Ela tanto insiste que vence a indiferença do juiz iníquo. – Se até um homem mau cede diante do pedido incessante, quanto mais Deus, que é justo e santo, nos atenderá e salvará.

A Oração é diálogo insistente e contínuo. Deus sempre ouve nossos pedidos, mesmo quando parece insensível aos nossos apelos e clamores. Em geral temos pressa. Deus sabe a hora e o momento para cada coisa. A nós cabe ter paciência e confiar n’Ele.

Rezar sempre é nunca interromper o diálogo com Deus, mesmo no aparente silêncio de Deus. É a presença silenciosa de Deus na base do nosso pensamento, da nossa reflexão e do nosso ser, que impregna toda a nossa consciência. (Bento XVI)

No diálogo, Deus transforma nossos corações e ensina a nos entregar em suas mãos, a confiar n‘Ele. Se cortamos esse contato, e deixamos cair os braços, fracassamos.

Oração não é fórmula mágica para Deus fazer nossa vontade ou caprichos. Não é simples ato de piedade ou de sentimento, mas ato de fé e amor, que nos abre ao diálogo com Deus. Oração é conversa com Deus, é falar e escutar, sem a necessidade de palavras complicadas.

Há orações escritas e espontâneas. Assim, podemos conversar com Deus do nosso jeito, pois Deus é o nosso melhor amigo e gosta de nos ouvir.

Rezar é silenciar para ouvir Deus, acolher sua Palavra e nos dispor a fazer a sua vontade.

Rezar é resposta vivencial e verbal. Para isso, existe várias formas: agradecimento, pedido, arrependimento, profissão de fé, contemplação, declaração de entrega…

Nesta semana, todos os dias, dediquemos um tempo com Deus para a oração pessoal.

Neste Mês Extraordinário Missionário, em que o Papa propõe o tema Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo, rezemos com Santa Teresinha, patrona das missões, para que toda a Igreja renove sua vocação e missão, sua identidade de batizamos e enviados, de discípulos missionários.

Dom Antonio Emídio Vilar, sdb
Bispo Diocesano