XXXI Domingo do Tempo Comum: Todos os Santos

A Solenidade de Todos os Santos é a festa da Vida, da Vida cristã, vida plena em Cristo, da Santidade de Deus presente em seus filhos, os santos. É a comunhão dos santos e uma antecipação da liturgia celeste, é a vitória dos irmãos que venceram a grande tribulação, e estão marcados com o selo do Deus vivo. Lembramos os que vivem para sempre com Deus, entre eles, nossos entes queridos falecidos. É a fé no Deus dos vivos que nos dá Vida em Cristo Ressuscitado, pelo Espírito. É a festa da alegria à espera da felicidade sem fim.

A Fonte da santidade cristã é Deus: começa, cresce e termina na graça de Deus, amor gratuito, que derrama seu Espírito em nossos corações para que possamos chamá-lo Pai, pois Ele nos faz seus filhos em seu Filho Jesus Cristo (LG 14,2).

A santidade tem duas dimensões: não é fruto só do esforço humano que alcança Deus com suas forças. É ação de Deus em nós pelo Dom do Espírito Santo com nossa resposta a Ele, participando na vida de Deus, pelos meios que a Igreja nos dá, em especial os Sacramentos.

A Morada dos Santos é o Céu: não é um lugar, é um estado de felicidade, da presença de Deus, dos anjos e santos. O Céu supera nossa imaginação e entendimento: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram nem o homem pode imaginar o que Deus preparou para aqueles que o ama. (1 Cor2,9) Agora vemos como num espelho, mas depois veremos face a face. (13,12)

E a eternidade não um eterno descanso, mas vida ativa e intensa com Deus.

Ser santo não significa não ter nada de imperfeito, fraco e falho. Só Deus é Santo assim! Mas, por graça de Deus, participamos da sua Santidade. Desde os primeiros séculos, isso levou os cristãos a se chamarem Santos, e a própria Igreja, a se chamar Comunhão dos Santos, comunhão que é participação dos membros da Igreja nas coisas santas: a fé, os Sacramentos, Carismas e Dons espirituais, e é comunhão entre as pessoas santas, as que, pela graça, estão unidas a Cristo morto e ressuscitado. Uns, peregrinos na terra, outros, após essa vida, purificam-se, com nossas orações; outros, já gozam da glória de Deus e intercedem por nós. Todos, formamos em Cristo uma só família, a Igreja, para a glória da Trindade. (CIC 194-195)

Santos não são só os declarados santos, nos altares, não são só os do passado, privilegiados. Santos pessoas normais, são todos os que vivem unidos a Deus, fazendo o bem, do passado e do presente, testemunhas de fidelidade a Cristo.

A liturgia fala do projeto de Deus em tornar a pessoa humana participante da sua Santidade.

Ap 7,2-4.9-14 fala de grande multidão de pessoas, de todos os povos, os santos que participam da glória celeste, junto de Deus. 144 mil eleitos é número simbólico e indica a totalidade da comunidade cristã. (12x12x mil: 12 tribos do AT + 12 apóstolos do NT + mil)

1Jo3,1-3 diz que a vida divina a se manifestar no final da vida, já está presente em nós, agora.

Em Mt 5,1-12, Jesus propõe a Santidade na vivência das Bem-aventuranças.

A Festa dos santos homenageia todos eles, conhecidos ou não, e apresenta hoje o ideal da santidade possível e desejado por Deus. Todos os fiéis são chamados à Santidade cristã. Ela é a plenitude da vida cristã e perfeição da caridade, realiza-se na união íntima ao Cristo e, nele, com a Santíssima Trindade. (CIC 428)

Todos nós podemos e devemos ser santos. Acolhamos o apelo de Deus à Santidade.

No dia 23 de novembro, em Tambaú, o Padre Donizetti, o apóstolo da acolhida, será declarado beato. Que Ele e todos os Santos sejam modelos e intercessores nossos, na caminhada rumo ao céu.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano