ANO A – TEMPO DO NATAL: Com Jesus, Maria e José

No clima do Natal, a Igreja celebra a Sagrada Família de Nazaré. A Deus nossa gratidão e louvor por todas as famílias. Toda família é sagrada, pois ela gera e cuida da vida.

Esta liturgia nos guia na construção da família, espaço de encontro, partilha e amor verdadeiro.

Ecl 5,2-6.12-14 explica o 4o Mandamento e orienta os filhos na relação com os pais. Agrada a Deus quem honra os pais e se torna alvo de suas bênçãos.

Cl 3,12-21 mostra o espírito que deve cultivar a família, esposas, maridos, filhos e pais: Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente.

Mt 2,13-15.19-23 nos apresenta a Sagrada Família em três momentos da Infância de Jesus: Belém, Egito e Nazaré. Nessas migrações, Jesus é conduzido por Deus e protegido por seus pais.

A Família de Nazaré é uma família como qualquer família de ontem, de hoje ou de amanhã, com crises, dificuldades e contrariedades. No entanto…

É uma família é unida e solidária. Nela existe Amor e Solidariedade. Ela, quando um de seus membros corre riscos, não hesita enfrentar os perigos do deserto e o desconforto do exílio. Os problemas de um são problemas de todos.

É uma família onde se escuta a Palavra de Deus e onde se aprende a ler os sinais de Deus. Nessa escuta, consegue soluções para vencer as contrariedades e descobrir caminhos a percorrer, para assegurar a vida e o futuro a seus membros.

José aparece como homem justo, atento às indicações de Deus. Ele sabe discernir e acolher a vontade de Deus. Ele tudo sacrifica em defesa da vida do menino que Deus lhe confiou.

Esta família obedece a Deus: não questiona as indicações de Deus, mas cumpre obediente seus projetos, certa de um futuro de vida, na tranquilidade e na paz.

A Sagrada Família é modelo da família cristã, mais que em seu contexto distante do nosso, é modelo nos valores que lhe dão sentido e missão nos planos do Amor de Deus.

A Família é uma instituição em mudança, mas jamais superada. A família é a célula base da Igreja e da sociedade. Mesmo passando por uma transformação profunda em seu modo de viver, é sempre instituição divina e permanente.

Na Família do passado, de cunho patriarcal, a autoridade do Pai contava com a docilidade dos filhos e era responsável pela parte econômica. A Mãe atendia aos afazeres domésticos e tinha o cuidado de muitos filhos.

Na Família atual há relações horizontais, com preferência ao diálogo, à corresponsabilidade, à igualdade, ao companheirismo, à amizade entre marido e esposa, entre pais e filhos. Ao mesmo tempo, hoje a família sofre muitas influências negativas e muitos fatores de desagregação.

Os valores básicos e permanentes na família são a comunhão de Amor e Vida entre as pessoas: o Amor fiel, único, exclusivo, totalizante e para sempre.

Os Filhos não são propriedade, bens adquiridos ou posse egoísta dos pais, mas prolongamento vital do amor pessoal, que educa e orienta para a liberdade responsável.

A família é a fonte da vida e o berço da fé. (João Paulo II) A família cristã é a igreja doméstica que contribui para a santificação do mundo, a partir de dentro, à maneira de fermento.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano