ANO A – VI Domingo do TC: O Cristão e a Lei

Vamos refletir sobre a atitude do cristão diante da Lei de Deus. Para muitos, é um tabu, uma série de proibições, que desaprovam muitas de nossas atitudes ou ações.

Em Eclo 5,16-21, Deus propõe os Mandamentos ao Povo de Israel, num clima de aliança. E o povo de Israel acolhe unânime. Para ele, o amor e a fidelidade à Lei constituem toda a justiça e a santidade, apesar de muitas infidelidades. Mas, com o passar do tempo, reduziu a Lei a uma observância puramente externa, sem uma convicção interior mais profunda.

Em Mt 5, 20-22, 27s, 332.37, Cristo censura tal atitude: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus! Não é suficiente uma fidelidade material e externa da Lei. É preciso uma fidelidade mais profunda, interior. E Jesus apresenta 6 exemplos. São Antíteses: Ouvistes o que foi dito. Eu, porém, vos digo… mediante as quais ele proclama o sentido da nova Lei. Hoje são lidas as primeiras quatro, referentes aos temas: Homicídio, Adultério, Divórcio e Perjúrio. As últimas duas: Perdão no lugar de vingança (Lei do talião) e o Amor ao inimigo, em invés de ódio, fica para o próximo domingo.

1) Homicídio: Ouvistes: Não matarás, aquele que matar terá de responder em Juízo. Eu vos digo: Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, terá que responder em juízo.

Condena todo tipo de morte: calúnia, mentira, fraude, ofensa, matar lideranças, não dar espaço na comunidade, o aborto. Se houvesse um Raio X para mostrar o cemitério que criamos em nosso coração, nos assustaríamos. Quantas pessoas estão mortas, para nós!

2) Adultério: Ouvistes: não cometerás adultério; eram mais severos para as mulheres. Eu vos digo: Quem olhar para uma mulher com desejo desonesto, já pecou em seu coração. Condena não só o ato consumado de adultério, mas também o desejo, o adultério de coração, certas amizades já são adultério. Não basta manter escondido da esposa ou do esposo as infidelidades. Se teu olho for ocasião de queda… corta-o. Não devemos tomar ao pé da letra, mas significa radicalidade.

3) Divórcio: Ouvistes: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe um certificado de repúdio. A lei de Moisés tolerava o divórcio em casos de união ilícita para preservar a mulher. Eu vos digo: Todo aquele que repudia sua mulher, faz com que ela adultere: E quem se casa com ela, comete adultério. Condena o Divórcio anula a tolerância da Lei mosaica e afirma a indissolubilidade do vínculo matrimonial. Hoje, a pastoral lida com os separados e 2ª União.

4) Perjúrio: Ouviste: Não jurarás falso. Eu vos digo: Não jureis de modo algum. Vosso Sim seja Sim, vosso Não, Não. Tudo que for, além disso, vem do Maligno. Condena a falsidade. Jurar para quê? Não basta só a prática externa da lei, temos que viver o espírito da Lei.

O Sermão da Montanha aqui nos ensina que a vida espiritual não está num catálogo de normas perfeitas que proíbem as más ações, mas limpeza da fonte de todas as ações: o coração. Pois dele procedem assassínios, adultérios, prostituições, falsos testemunhos e difamações.

O Salmo afirma: Feliz quem tem vida pura e segue a Lei do Senhor.

Em 1Cor 2,6-10, Paulo fala da Sabedoria de Deus, tão diferente da dos homens. O cristão faz tudo não pela lei ou obrigação só, por exemplo, ir à Missa… Jesus nos repete: Se a justiça de vocês não for maior que a dos escribas e fariseus, vocês não entrarão no Reino dos céus. E diz: Quem me AMA, guarda os meus mandamentos.

Seja a nossa observância uma expressão sincera e profunda do nosso amor para com Deus.