ANO A – IV DOMINGO DA QUARESMA: Filhos da Luz

Hoje a catequese batismal quaresmal trata da Luz, na cura do cego. Já vimos a Água, com a Samaritana, e veremos a Vida na ressurreição de Lázaro. No Batismo, a vela acesa na mão, nos convida a viver na Luz da fé.

Em 1Sm 16,1.6-7.10-13, Davi é ungido como rei de Israel. A Unção de Davi, eleito por Deus, é figura profética da Unção Batismal dos cristãos.

Em Ef 5,8-14, Paulo nos chama a viver como filhos da Luz, renunciando às obras das trevas e produzindo frutos de bondade, justiça e verdade.

Em Jo 9,1-41, Jesus unge um cego com barro, pois Ele, a Luz do Mundo, veio nos libertar das trevas. Para João, a cura do cego é um processo de fé de quem passa das trevas da cegueira para a luz da visão, e da visão para a Luz da fé em Cristo. O cego é símbolo dos que, no Batismo, renascem pela fé, acolhem a Jesus e se deixam conduzir por sua Palavra. Tudo começa com a pergunta dos discípulos a Jesus: Por que esse homem nasceu cego? Seria castigo de Deus? Quem pecou? Jesus responde: Nem ele, nem seus pais pecaram. E continua, passando das palavras aos atos.

Para dar a Luz ao cego, Jesus cura assim: Com saliva faz barro na terra, passa nos olhos do cego e o manda lavar-se na piscina de Siloé. Não cura logo, mas pede sua cooperação. O cego aceita a proposta de Jesus.

O banho na piscina do enviado se refere à Água de Jesus e à Água do Batismo para quem quer sair das trevas e viver na Luz, como Filhos de Deus.

Os personagens da cena são os vizinhos, os fariseus, os pais, o cego, Jesus.

Os vizinhos percebem o dom que vem de Jesus, mas não se abrem à Luz. Eles são os que percebem a proposta de Jesus, mas se fecham e não vão ao encontro da Luz.

Os fariseus conhecem a luz, mas não a aceitam. Acusam-no de transgredir a lei do sábado e expulsam o cego da sinagoga. Conhecem a novidade de Jesus, mas não se dispõem a acolhê-lo e até hostilizam seus seguidores.

Os pais constatam o fato, mas não se comprometem. Eles não têm coragem de passar das trevas para a Luz. Preferem a segurança do que correr riscos.

O cego, um iluminado, questionado sobre Jesus, é livre, corajoso e sincero: diz o que pensa, sem medo, fala a verdade e enfrenta a violência, sendo expulso da sinagoga.

Jesus, então, vai ao seu encontro, e seu diálogo culmina no ato de fé: Eu creio, Senhor!

O cego vai se transformando: Antes do encontro com Jesus, é prisioneiro das trevas, dependente: Não sabe quem o curou. Depois, aos poucos, a Luz brilha. Forçado a renegar a Luz e a liberdade, não quer voltar à escravidão. Enfim, encontra-se com Jesus que lhe pergunta: Crês no Filho do Homem? Faz sua adesão total: Creio, Senhor! Prostra-se e o adora. O Caminho de fé do cego é o do Cristão.

Que a Quaresma renove nosso Batismo, e que o Sacramento da Penitência reacenda em nós a Luz da graça batismal.