Dom Vilar dirige palavras de alento a toda diocese

MENSAGEM – QUARESMA E QUARENTENA

Caros irmãos e irmãs, a partir da Solenidade de São José, patrono da Igreja, pensei em lhes dirigir palavras de alento e conforto nesta hora em que vivemos isolados em casa, lutando contra o risco de contágio do Corona vírus. São José, avisado pelo anjo que Herodes queria matar o menino, pegou depressa o menino e sua mãe e foi para o Egito. Como ele, obedientes, longe da rotina e agitação, longe de Herodes, cultivamos o silêncio. José, homem justo e santo protege e cuida de sua família. Com Maria, José nos ensine, mais do que nunca, a servir Jesus em cada irmão mais frágil. Que São José nos ensine a mesma fé e esperança em Deus que ele teve na missão que recebeu. A São José confiamos nossos cuidados pastorais junto ao povo de Deus que sofre e luta.
Na mensagem que adia a Assembleia geral da CNBB, lemos: Unimo-nos a cada irmão bispo na oração para que, em meio a tantas decisões que precisamos tomar e pressões vindas de diversas direções, sejamos
capazes de percorrer um caminho às vezes estreito, entre a preservação da vida e o atendimento espiritual que nos cabe por vocação e missão.
Para a nossa diocese, as orientações para enfrentar o risco do contágio, foram estas:

1) No dia 27 de fevereiro, os primeiros cuidados;
2) No dia 14 de março, que cuidados mais detalhados adotar;
3) No dia 16 de março, suspendemos as confissões;
4) No dia 19 de março, suspendemos as Santas Missas;
5) E hoje, envio-lhes esta mensagem.

Com todos estes cuidados e reflexões, já podemos tirar algumas lições desta prova:
1º) Ficar em casa nos faz ser mais família;
2º) Estamos todos no mesmo barco, sentindo-nos todos iguais, e isto nos faz mais solidários;
3º) Tocamos a fraqueza da condição humana, que só pela fé nos faz saborear a força de Deus;
4º) Cremos que o mal não vem de Deus, mas vem do uso errado de nossa liberdade, vem de nosso pecados;
Cremos que Deus é Amor, e se Ele permite o mal, é porque sabe tirar do mal um bem.
5º) Estamos na Quaresma, seguindo Cristo que vence a tentação no deserto, até a Cruz, quando vence o
pecado e a morte. E é nesta Quaresma que estamos vivemos nossa Quarentena em casa.

A Quarentena nos lembra o Egito, quando o povo obedeceu a ordem de Moisés, e ficou em casa, até que as pragas passarem e tudo ficou bem. O sinal que protegeu o povo de Deus contra as pragas foi o sangue nas portas das casas. Assim, o nosso sinal é a Cruz. Com este sinal, nós vencemos: o Sangue do Cordeiro nos salva! Cada família em seu retiro se una em oração diante da Cruz do Senhor.

Assim, como nunca, vivemos este tempo favorável da graça e da salvação, tempo que o Senhor nos dá para nos renovar com nossas práticas quaresmais: oração, jejum e caridade.

– A prática da Oração: Se não nos reunimos nas igrejas, nossas casas se tornam igrejas. Para as orações, já enviamos as opções a serem recitadas em casa, segundo as próprias condições, com a meditação da Palavra de Deus, além do terço, da via-sacra, etc…; temos também muitas Transmissões de missas e celebrações pelas redes sociais, TV, rádio…

– A prática do Jejum: O maná do deserto nos propõe a sobriedade da quaresma, a partilha em família, sem os banquetes suntuosos do consumismo que nos afastam uns dos outros, como o rico e o pobre Lázaro; Basta olhar hoje para a fome, a peste e a guerra com tantos irmãos que vivem nas periferias do mundo; Esta quarentena nos faz alargar o nosso olhar e ver o jejum permanente que estes irmãos vivem nestas periferias.

– A prática da Caridade: Deus não quer holocaustos e sacrifícios, mas o Amor, na defesa e cuidado da vida.

A CF 2020, ‘Vida, dom e compromisso’, propõe como viver a exemplo do Bom Samaritano que ‘viu, teve compaixão e cuidou dele’. E no fim dos tempos, no juízo sobre o amor, o Senhor dirá a quem viveu o amor:
‘Vinde benditos de meu Pai. Recebei a herança que o meu Pai vos preparou desde a criação do mundo, pois eu tive fome e me destes de comer… Todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos, a mim o fizestes.’ Na Quarta-feira de Cinzas, ouvimos: Lembra-te que és pó e em pó hás de tornar! Sim, hoje nos sentimos pó, em nossa pequenez. O orgulho das conquistas humanas, da ciência e da técnica, prostra-se diante de um vírus, e faz o homem recorrer à fé em Deus que tudo pode. Sim! A oração é a nossa força, com a consciência de nossa impotência diante de Deus. A oração, sim, mostra a nossa confiança em Deus.
Mas, também, além da oração, temos o dever de usar os recursos humanos disponíveis, com os cuidados médicos, a prevenção e as indicações dos profissionais da saúde. Não devemos tentar a Deus (Mt 4,7), arriscando e pondo em risco nossa saúde, julgando erradamente que Deus nos protegerá sem a nossa mínima participação.
Enfim, aprendamos a cuidar uns dos outros, cientes que somos todos iguais em natureza, sem distinção de classe, cor, nacionalidade, sexo. Somos todos fracos e débeis e precisamos uns dos outros.
Que Maria Santíssima, saúde dos enfermos, nos proteja, e que São José, cuja festa já celebramos, nos defenda de todo mal!

Dom Antonio Emidio Vilar, bispo diocesano
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Oração do Papa Francisco, à Virgem Maria
Ó Maria, Tu sempre brilhas em nosso caminho como sinal de salvação e esperança.
Nós nos entregamos a Ti, Saúde dos Enfermos, que na Cruz foste associada à dor de Jesus, mantendo
firme a Tua fé.
Tu, Salvação do povo, sabes do que precisamos e temos a certeza de que garantirás, como em Caná
da Galileia, que a alegria e a celebração possam retornar após este momento de provação.
Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor, a nos conformarmos com a vontade do Pai e a fazer o que Jesus
nos disser. Ele que tomou sobre si nossos sofrimentos e tomou sobre si nossas dores para nos levar,
através da Cruz, à alegria da Ressurreição. Amém.

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Sob a Tua proteção, refugiamos, Santa Mãe de Deus!
Não desprezes as nossas súplicas, nós que estamos na provação,
e livra-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita!