Ano A – Domingo de Ramos

Há dois momentos nesta liturgia: a entrada de Jesus em Jerusalém, na procissão de Ramos, em clima de alegria, fé e compromisso; e a Leitura da Paixão do Senhor, no início da Semana Santa, caminho de dor e Cruz. Há triunfo e humilhação! Jesus propõe paz e recebe violência.

Is 50,4-7 fala do Profeta anônimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confia em Deus e realiza os projetos de Deus. Os cristãos viam no servo sofredor a figura de Jesus. Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação aos homens.

Fl 2,6-11 é um Hino Cristológico: Cristo é o princípio e o fim de todas as coisas, modelo de toda criatura. Se a desobediência de Adão trouxe fracasso e morte, a obediência de Cristo ao Pai trouxe exaltação e vida. Ele se despojou de sua condição divina e assumiu nossa humilde condição humana para servir, dar a vida e revelar o amor do Pai. Esse caminho não leva ao fracasso, mas à glória, à vida plena. E é esse mesmo caminho que a Palavra de Deus nos propõe.

Mt 26,14-27,66 contempla a Paixão e Morte de Jesus, nos introduz na Semana Santa e anuncia um mundo novo de justiça, paz e amor: Jesus passa fazendo o bem entre nós, anunciando um mundo novo de vida, liberdade, paz e amor. Ensina que Deus não exclui ninguém, nem os pecadores, não marginaliza leprosos, cegos e paralíticos, que pobres e excluídos são preferidos de Deus, com um coração mais disponível para acolher o Reino; e avisou os ricos (poderosos, instalados), que egoísmo, orgulho, autossuficiência e fechamento só levam à morte.

Este projeto libertador de Jesus entra em choque com o egoísmo e a opressão do mundo. As autoridades políticas e religiosas, incomodadas com a denúncia de Jesus, não querem renunciar ao poder, influência, privilégios. Não se dispõem a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prendem e condenam Jesus, pregando-o numa cruz. A morte de Jesus é consequência do anúncio do Reino que contraria os que dominam o povo. A morte de Jesus é o ponto mais alto de sua vida; é a afirmação mais radical de tudo o que pregou: o dom total.

Mateus aponta a Paixão como Cumprimento das Escrituras, escrevendo a cristãos vindos do judaísmo e mostra que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas.

No Getsêmani, Jesus condena a violência contra o servo do sacerdote. O caminho do Pai passa pelo amor e o dom da vida. Por isso, os discípulos não podem recorrer à violência. 

Mateus relata a Morte de Judas e deixa clara a falsidade do processo e a inocência de Jesus, o desespero e arrependimento de Judas. Fala do sonho da mulher de Pilatos e da lavagem das mãos, mostrando que os pagãos veem a inocência de Jesus, mas o povo o rejeita. Descreve os fatos que acompanham a morte de Jesus: O véu do Templo rasgou-se em duas partes, a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos, que tinham morrido saíram do sepulcro, entraram na cidade e apareceram a muitos.

Estes sinais mostram Deus libertador do Povo, apesar do aparente fracasso.

Falar da guarda do sepulcro é atestar que o sepulcro vazio prova que Jesus ressuscitou.

Os Ramos verdes, que usamos, recordam a acolhida do Povo a Jesus, ao entrar em Jerusalém.

Aclamemos Jesus, a vida que nos trouxe e o amor por nós de seu bondoso coração.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano