Dom Vilar divulga orientações pastorais sobre a Eucaristia e as Missas em tempos de Pandemia

São João da Boa Vista, 30 de abril de 2020.

Caros diocesanos,

Já faz mais de um mês que fomos obrigados a suspender as Missas em assembleia para impedir uma ampla disseminação do novo coronavírus. E o fizemos, conforme os órgãos de saúde governamentais e as orientações da Igreja.

Pensamos em primeiro lugar na preservação da vida e no bem espiritual de todo o povo confiado ao nosso pastoreio. Depois, as igrejas tiveram a permissão de estarem abertas, a fim de permitir ao povo a oração privada e individual, mas com a condição de evitar qualquer aglomeração de grupos, sempre no devido respeito às orientações locais. Nas celebrações pascais, nossos presbíteros, intercedendo pelo povo, deram belos testemunhos de pastores zelosos e criativos para facilitar a participação dos fiéis. Ao rezar com os templos vazios, seus corações bateram fortes, certos de que a morte foi vencida. Além das transmissões (TV, facebook, youtube), incentivou-se ‘a comunhão espiritual’. Vimos muitos sinais de comunhão, seja dos presbíteros que, unidos celebraram o Tríduo Pascal, seja das famílias que seguiram os meios de comunicação, ou que se reuniram em casa para a oração em comum, edificando, assim, a Igreja Doméstica.

Sobre pedidos para distribuição da Eucaristia de modo rápido aos fiéis, enviei orientações aos padres, lembrando o que o Magistério Eclesial nos ensina. Entre outras coisas, destaquei: “Na celebração da santa Missa, a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística estão intimamente unidas uma à outra e formam um só ato de culto. Não é lícito, por isso, separar uma parte da outra, celebrando em tempos e lugares diferentes. Nem tão pouco é lícito realizar cada uma das partes da santa Missa em momentos diferentes, ainda que no mesmo dia.” (Redemptionis Sacramentum, 60) A participação consciente e ativa do Povo de Deus no Mistério celebrado, que está no centro da Reforma Litúrgica do Concílio Vaticano II, é incentivada pelos papas.
Tal participação se dá por meio de formas e ritos, como: a Santa Missa, a distribuição da Sagrada Comunhão fora da Missa, a comunhão levada aos impossibilitados de participar da Missa, ou ainda o viático. Cada uma dessas formas prevê um rito próprio, incluindo a formação da comunidade e a leitura da Sagrada Escritura.

Mas, o que fazer diante do pedido de distribuir a Eucaristia aos fiéis na pandemia? Louvo o desejo manifesto dos fiéis pela Eucaristia e o zelo dos padres em oferecer a Eucaristia sacramentalmente. Mas, o fato é que a pandemia exige de nós a obediência aos órgãos de saúde, com o isolamento social obrigatório. Assim, nossa Diocese não admite nenhuma forma de distribuição da Sagrada Comunhão, nem em esquemas drive thru, nem distribuindo o Pão Eucarístico de modo individual aos fiéis, pelas motivações acima. Contudo, tiramos uma lição da quarentena: ela nos desperta para outras formas reais da presença de Cristo que, às vezes, deixamos de lado. Além da ‘comunhão espiritual’, estas experiências, mais que incentivar uma religião intimista, alimentam a Igreja Comunhão nas formas da oração em comum (cf. Mt.18,20); da escuta, meditação e oração da Palavra de Deus (cf. Jo.1,14); a solidariedade com os necessitados (cf. Mt.25,40). Enquanto isso, os nossos padres continuam celebrando diariamente a Eucaristia, pelo povo, seja de modo privado, seja concelebrada com seus irmãos de presbitério. Por outro lado, para podermos retomar aos poucos às nossas Missas públicas, cada novo passo a ser dado exige um bom discernimento. Não pode ser privilégio de alguns. Para isso, junto às autoridades locais, os padres responsáveis estarão em tratativas. Será um processo gradual em que toda a diocese estará em comunhão, respeitando as normas de cada município. Exceções que ferem a unidade devemos evitar. Aos poucos, porém, vamos estudar a possibilidade de experiências, por exemplo, de Missas com grupos pequenos. Mas, sempre, observando as orientações sanitárias. Caros irmãos e irmãs, o mês de maio está aí! É o mês de Maria, quando o povo manifesta seu amor e devoção a Ela. O papa enviou uma mensagem, convidando a rezar o Terço em casa, com a família. Ele propõe redescobrir a beleza de rezar o Terço em casa. Além disso, o Papa oferece duas orações a Nossa Senhora, para se rezar no fim do Terço. Peçam ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, que nos livre de todo mal e venha em socorro de todos os que mais sofrem com esta pandemia. Como os discípulos de Emaús, partilhem com Jesus suas dores e angústias. Ele lhes fala, pelas Escrituras, e ensina as melhores lições de tudo isso. Assim, após a pandemia, o que dizer? “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc.24,32) Mas, chegará o momento para que todos, como os dois discípulos, cheguem em casa com Jesus, e O reconheçam ao partir o pão (cf. Lc.24,30). Só assim, iluminados pela Palavra e fortalecidos pelo Pão Vivo, vocês serão testemunhas destes fatos em sua comunidade.


Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
Bispo Diocesano