XVIº Domingo do Tempo Comum: O joio e o trigo – ANO A

O Bem e o Mal andam juntos no mundo. Mas, por que Deus permite o mal e não castiga?

Hoje, a Liturgia responde mostrando a Paciência de Deus e nos convidando à paciência.

Sb.12,13.16-19 fala da misericórdia de Deus para com todos, mesmo com quem pratica o mal. Deus não eliminou os povos pagãos do povo eleito na conquista da terra prometida. Ele não os puniu, pois ama todos os que criou, mesmo se fazem o mal. Às vezes pensamos que os males são castigos de Deus. Não! Deus é tolerante, paciente e misericordioso, e sua bondade supera todo castigo. A mesma coisa Ele nos convida a fazer.

Rom 8,26s fala da Misericórdia de Deus que socorre nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir: Ele nos dá o Espírito Santo que auxilia nossa fraqueza e intercede por nós de acordo com o coração de Deus.

Mt 13,24-43 mostra a Paciência de Deus. O Reino de Deus já está presente no mundo. No Reino de Deus todos têm lugar para crescer e amadurecer, os bons e os maus. Mas Jesus, vê os Apóstolos impacientes com quem não os acolhe, e corrige a intolerância deles com 3 parábolas: O trigo e o joio, o grão de mostarda e o fermento na massa.

O trigo e o joio revelam a atitude humana e divina: A impaciência humana: Senhor, queres que arranquemos o joio? E a Paciência de Deus: Deixai o joio crescer junto com o trigo até a colheita! Deus não quer destruir o pecador e descartar os maus. Deus é paciente e misericordioso, é lento para a ira e rico de misericórdia. (Sl.85) O Reino se constrói na Paciência, à espera da hora certa da colheita final que vai separar Bem e Mal. A paciência de Deus com o joio vai contra a vingança, a intolerância, pois se fixa nas falhas somente. Há povos africanos que lidam bem com quem erra. Eles reúnem a comunidade ao redor do infrator e só falam do bem que a pessoa já fez até ali. Esta dose forte de bem levanta a pessoa e a ajuda a pessoa a se fortalecer no bem, e não se deixar levar pelo erro cometido.

Trigo e joio estão em toda parte: joio é desunião, inveja, fofoca. Arrancar o joio não cabe a nós. Na história, a Igreja já foi rigorosa e quis arrancar o joio, mas Jesus não, Ele ensina amor, perdão e misericórdia; Ele ensina que Mal e Bem se misturam no mundo e em nós também; que o mundo é de trigo e de joio, é guerra e paz, é gozo e aflição; Ele ensina que o joio de hoje pode ser trigo para Deus depois, e que o Senhor repete sempre: Deixai-os crescer junto até a colheita.

Essa Parábola nos ajuda a sermos pacientes quando buscamos uma comunidade perfeita, da noite para o dia; ajuda os pais que querem os filhos mudados, maduros num piscar de olhos; e nos ajuda a conviver com os conflitos, a não desistir, nem cruzar os braços.

As outras parábolas completam esta mensagem: Somos semente de mostarda, pequena, insignificante, mas que cresce até aninhar os pássaros em seus ramos. Somos o fermento que leveda a massa da farinha, que é nosso mundo. Isto é, Deus transforma joio em trigo. Seu Reino já está presente entre nós, mesmo misturado com o joio, mesmo pequeno como o grão de mostarda ou como um pouco de fermento. Nós devemos ser ‘trigo de amor, dedicação e colaboração’, e não ser ‘joio de ódio, discórdia e calúnia’. Mesmo pequenos, nossa missão é de semear e cultivar o trigo e não joio. É vivendo o Evangelho, vivendo no Espírito Santo, que se pode mudar o mundo, como fez Jesus.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Bispo Diocesano