OITO CHAVES PARA QUE AS FAMÍLIAS FORTALEÇAM A ESPERANÇA EM MEIO A PANDEMIA

Em meio à crise sanitária causada pela pandemia, o Arcebispo de Bogotá (Colômbia), Dom Luis José Rueda Aparicio, escreveu uma carta pastoral às famílias para encorajá-las a fortalecer sua esperança nestes tempos difíceis.

Na carta intitulada “A esperança dá-nos um novo ritmo”, Dom Rueda convida as famílias a recordar a frase de Santo Agostinho: “Reze como se tudo dependesse de Deus, trabalhe como se tudo dependesse de ti” , como luz no caminho em meio à dor causada pela pandemia do coronavírus. Da mesma forma, oferece oito chaves que ajudarão a fortalecer a virtude da esperança diante desta etapa “tão surpreendente e exigente” que a humanidade está vivendo.

  1. Reconhecer que todos somos frágeis: “Sentimos dor pelo sofrimento de tantas famílias que viveram o drama do contágio, a incerteza provocada pelas limitadas possibilidades de atendimento e a morte de seus entes queridos sem a possibilidade de se despedir deles. Sofremos com aqueles que moram sozinhos e tiveram que enfrentar essa quarentena de forma mais isolada do que antes. Manifestamos nossa solidariedade com os médicos, enfermeiras e todos os profissionais de saúde que atendem diretamente a dor dos enfermos”, disse.
  2. Reconhecer que todos nós precisamos uns dos outros. Nesta crise “as pessoas correm o risco de se sentirem sozinhas e abandonadas em meio à tragédia. A pior das fragilidades é aquela que nos torna indiferentes ou egoístas mesmo em meio a tanta dor. É parte do ser comunidade de irmãos, capazes de compartilhar tudo no amor de Cristo”, assinalou.
  3. Colocar nossa esperança em Deus nos dá um novo ritmo: “Na provação fez-se necessário encontrar uma grande esperança com a hospitalidade, fraternidade e solidariedade que não se destrói por um vírus ou medo. Bento XVI ensina que esta grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e que nos pode propor e dar aquilo que nós sozinhos não podemos realizar”, disse.
  4. Manifestar a esperança com atitudes concretas: “É tempo de um novo ritmo de esperança, capaz de mobilizar todas as forças humanas. É bom que esta esperança se manifeste, saia e se coloque em caminho com passos visíveis e concretos: Misericórdia, Encontro, Diálogo e Austeridade”.
  5. Fazer da misericórdia um estilo de vida: Dom Rueda disse que hoje Deus nos chama a receber seu “abraço misericordioso […] para deixar que Ele toque em nossa miséria e nos hospede novamente em seu coração” e assim poder mostrar misericórdia aos outros com obras diárias de amor, “até que elas se convertam no estilo de vida pessoal e familiar”.
  6. Promover o encontro dos demais com Cristo: “É um ‘tempo propício’ para promover com palavras e atos o encontro permanente dos outros com Cristo no Evangelho, na oração e nos sacramentos. Quem encontra a Cristo encontra-se com os outros, com a criação e assume o risco de ajudar a construir um mundo de fé, esperança e amor”, afirmou.
  7. Ser missionários do diálogo: “A ausência de diálogo aumenta em todos o medo e a autodefesa agressiva e leva à tirania, ao fanatismo e à guerra”. Por isso, convidou a “promover a atitude de diálogo com verdade e respeito”, pois o diálogo exige uma “atitude de escuta” para perceber as diferenças, sair da indiferença, ouvir os gritos daqueles que sofrem ou se sentem “rejeitados” e, assim, levar à reconciliação social. “Hoje somos chamados a ser missionários do diálogo na família e na sociedade, se pudermos cultivar a atitude de diálogo, encontraremos a resposta a muitas perguntas da vida e a esperança aumentará em nós”, afirmou.
  8. Viver com austeridade sem amargura: Dom Rueda assinalou que “a sobriedade vivida com gratidão, sem amargura, nos permite valorizar ​​o pouco que temos” e evitar desperdícios. Além disso, afirma que ensinar a partilha fraterna e “um novo ritmo que nos dá felicidade e nos liberta do consumismo”, dá a riqueza da sabedoria e forja na família “um novo estilo de vida, sem pretensões de acumulação indevida, buscando apenas o essencial, o fundamental. O estilo de vida sóbrio nos torna mais humanos, mais cuidadosos e, portanto, mais cristãos. Só assim poderemos oferecer ao mundo o poder renovador da humildade face à opulência, e todos passaremos do pessimismo à esperança”, acrescentou.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.