TU ÉS PEDRO: CRISTO E A IGREJA

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
“Quem é Jesus Cristo para mim?” Não vale uma resposta decorada ou estudada no catecismo ou na teologia. A resposta só vale se sai do coração como sinal de fé vivida e testemunhada. Só assim mostro quem é Cristo em minha vida. Cristo não é um personagem morto do passado. Ele ressuscitou! Ele está vivo em nós!”

No livro do profeta Isaías, Eliacim recebe as chaves do palácio real e se torna ministro da casa real: “Eu te deporei de teu cargo e te arrancarei do teu posto. Naquele dia, chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias. Eu o revestirei com a tua túnica, o cingirei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá; eu o fixarei como prego em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai.” (Is 22,19-23). Eliacim é figura de Pedro, a quem Jesus vai confiar o governo do Povo de Deus, como meditamos no Evangelho desse Vigésimo Primeiro Domingo Comum. Somos membros desse povo, convidados a contemplar a riqueza, a sabedoria e o conhecimento de Deus ao realizar seu projeto de salvação do homem: “Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém” (Rm11,33-36).

Quando Jesus entrega as chaves a Pedro e ele faz sua adesão ao Messias, Filho de Deus, naquele momento nasce a Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada ao redor de Pedro: “Chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: ‘No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?’. Responderam: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas’. Disse-lhes Jesus: ‘E vós quem dizeis que eu sou?’ Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!’. Jesus, então, lhe disse: ‘Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus’. Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo’.” (Mt 16,13-20). Nesse Evangelho há duas partes: “Quem é Jesus Cristo?” e “O que é a Igreja?” Jesus pergunta aos discípulos o que se diz d’Ele. Dizem que é um homem extraordinário, bom e justo. E os discípulos? O que pensam? Pedro afirma muito mais: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” Com esta confissão de fé, Jesus declara que, a fé expressa por Pedro, é o fundamento no qual Ele quis fundar a sua Igreja. A Igreja é, pois, uma comunidade de discípulos que tem Jesus como Messias e Filho de Deus. A Igreja existe para testemunhar sua fé em Cristo e levar a todos sua salvação. Esse é o “poder” das chaves confiado a Pedro e à comunidade: a missão de manter a unidade da fé em Cristo.

Ser Igreja, hoje, significa testemunhar. Quem é Cristo para quem abandona a prática cristã? Quem é Cristo para as confissões religiosas que se dividem em seu nome? Quem é Cristo para os Jovens, nesta sociedade complexa, plural e sem referenciais? Quem é Cristo para os pobres, diante de tantas promessas frustradas? Quem é Cristo para os que lutam por uma sociedade mais justa e fraterna? Quem é Cristo para nós que usamos sua Imagem sem buscar o sentido de sua presença e ação? Quem é Cristo cantado em festas e festivais, mas só lembrado nas horas difíceis? Em tudo isso, vemos como ninguém esquece Cristo. Todos buscam N´ele um sentido para suas vidas! E nós? Cabe a cada um responder: “Quem é Jesus Cristo para mim?” Não vale uma resposta decorada ou estudada no catecismo ou na teologia. A resposta só vale se sai do coração como sinal de fé vivida e testemunhada. Só assim mostro quem é Cristo em minha vida. Cristo não é um personagem morto do passado. Ele ressuscitou! Ele está vivo em nós!

Onde está Cristo? O Documento de Aparecida lembra-nos que os lugares de encontro com Jesus Cristo são: a fé recebida e vivida na Igreja, a Sagrada Escritura, a Sagrada Liturgia, em especial a Eucaristia dominical, o Sacramento da Reconciliação, a Oração pessoal e comunitária, a Comunidade viva de fé e amor fraterno, os pobres, aflitos e enfermos (cf. DA n. 6). Devemos conhecer Cristo, viver e anunciar sua Palavra. Na felicidade de amar e servir, Cristo se faz presente em cada um de nossos gestos, encarna-se em cada rosto sofrido que você encontra pelo caminho.

Neste mês vocacional já lembramos o dia do padre, dos pais, da vida consagrada. Hoje, lembramos a vocação do leigo na Igreja e na sociedade. Seu dia especial é o último domingo do ano litúrgico, a Festa de Cristo Rei. Rezemos pelos leigos para que sejam sal e luz, com sua vida cristã no mundo, na família e no trabalho Mas, não esqueçamos que a nossa vocação cristã primeira é à santidade! Somente respondendo “sim” a esse chamado é que vai ser possível vivermos com autenticidade nossa vocação pessoal.