SEGUIR JESUS

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB
Seguir Jesus implica ouvir sua Palavra, acolhê-la e vivê-la até a loucura da Cruz. A liturgia nos dá dois exemplos de pessoas que foram fiéis até a Cruz: Jeremias e Pedro. Jeremias conta sua experiência de Cruz: “Seduzistes-me, Senhor; e eu me deixei seduzir! Dominastes-me e obtivestes o triunfo. Sou objeto de contínua irrisão, e todos zombam de mim. Cada vez que falo é para proclamar a aproximação da violência e da devastação. E dia a dia a palavra do Senhor converte-se para mim em insultos e escárnios. E, a mim mesmo, eu disse: Não mais o mencionarei, nem falarei em seu nome. Mas em meu seio havia um fogo devorador que se me encerrara nos ossos. Esgotei-me em refreá-lo, e não o consegui.” (Jr 20,7-9). Seduzido pelo Senhor, o profeta pôs-se a seu serviço e conheceu solidão, sofrimento, perseguição e prisão. Ele se abalou tanto e, mesmo tentado a largar tudo, não desistiu: Senti dentro de mim um fogo ardente a me penetrar! Seu grito humano, seu coração ferido, enfrenta incompreensão e fracasso aparente. Na dor desanima, mas, movido por grande paixão por Deus, reanima-se. Ele acolhe a Palavra do Senhor e persevera fielmente.

Paulo diz que o verdadeiro culto a Deus deve nos conduzir a fazer Sua vontade e a abraçar a Cruz, mudando nosso próprio modo de pensar, lutando contra a mentalidade do mundo: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a ofere¬cerdes vossos corpos em sacri-fício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.” (Rm12,1-2).

No Evangelho, Pedro censura Jesus que fala de Paixão e Cruz. Jesus, porém, adverte Pedro e convida seus discípulos a segui-Lo. É fácil dizer que aceita seguir Jesus e sua Cruz. Difícil mesmo é viver a Cruz no dia a dia: “Desde então, Jesus começou a manifestar a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia. Pedro, então, começou a interpelá-lo e protes¬tar nestes termos: “Que Deus não permita isso, Senhor! Isso não te acontecerá!”. Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: “Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!”. Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, irá recobrá-la. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras.” (Mt 16,21-27).

É conhecida a estória de alguém que não suportava sua cruz e reclamou a Deus. Deus aceitou que ele deixasse sua cruz ali e escolhesse outra cruz menor. Agradecido, andou de lá para cá e, enfim mostrou uma cruz pequena ao Senhor que lhe disse: “Meu filho, aquela é a cruz que você deixou!” É assim! Deus nos conhece bem e sabe da nossa condição! Ele nunca vai dar uma cruz mais pesada do que a que podemos carregar.

Jeremias e Pedro são discípulos apaixonados por Deus, que lhes dá força para cumprirem a missão. Todos temos dificuldades, sofrimentos e perseguições. Mesmo assim, vale a pena! A Palavra de Deus nos pede uma vida coerente. Se alguém quer seguir Jesus, que não seja só de cabeça, mas de todo o coração! O discípulo não pode cair no mundanismo da moda, das aparências, do que é mais fácil e cômodo, de ganhar a vida tirando vantagem em tudo. Isso é perder a vida! O discípulo segue o caminho do Mestre que sabe perder, gastar a vida por amor a Deus e aos irmãos. Jesus garante que o Pai retribuirá conforme a conduta de cada um. O que vai nos salvar, enfim, será o bem que fizermos aos outros. Ser cristão é seguir Jesus Cristo e seus exemplos, ouvindo, meditando a Palavra de Deus para crescermos sempre mais no amor e na fé. Este crescimento é um processo contínuo e progressivo, até chegarmos à Cruz. Nesta busca do que é melhor, talvez um dia, diremos como Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).

Maria, nossa Mãe, é o modelo que devemos imitar. Ela é a verdadeira discípula que guardou o que viu, o que ouviu e meditou tudo em seu Imaculado Coração. Deu seu “sim” a Deus e foi fiel até o fim, até à Cruz de seu Filho, permanecendo em pé. Foi junto à Cruz que Jesus nos deu sua Mãe como nossa Mãe. Por isso, rezamos a Ela: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”. Neste domingo de agosto, mês das vocações, celebramos o dia dos (das) catequistas. Rezemos para que sejam testemunhas e seguidores autênticos de Cristo.