CORREÇÃO FRATERNA

Neste mês da Bíblia, vamos ouvir a Palavra de Deus, acolhê-la e guardá-la no coração, meditando-a e vivendo-a dia-a-dia. Ela sempre traz luz para cada situação da vida. Hoje, a Palavra nos diz o que fazer diante da pessoa amiga que erra: “Filho do homem, eu te constituí sentinela na casa de Israel. Logo que escutares um oráculo meu, tu lhe transmitirás esse oráculo de minha parte. Se eu disser ao pecador que ele deve morrer, e tu não o avisares para pô-lo de guarda contra seu proceder nefasto, ele perecerá por causa de seu pecado, mas a ti pedirei conta do seu sangue. Todavia, se depois de receber tua advertência para mudar de proceder, nada fizer, ele perecerá devido ao seu pecado, enquanto tu salvarás a tua vida.” (Ex 33,7-9). O profeta é sentinela que Deus põe para vigiar Israel. Sentinela é quem guarda, vigia e previne o povo de perigos. A sentinela toca a trombeta no perigo e alerta a comunidade para enfrentar o inimigo e evitar a desgraça. O profeta é sentinela: vê a situação e aponta os perigos; conhece Deus e as realidades humanas; não se omite diante de uma pessoa má e corrupta. Ezequiel é o Profeta da Esperança para os exilados que estão longe do Templo e do culto. O profeta traz esperança ao povo, garante que Deus não o abandona, mas o ama sempre. Hoje, os profetas somos nós para cuidar dos irmãos e lhes dar Esperança.

São Paulo, escrevendo aos romanos, ensina que o Amor é a plenitude da Lei. E, Deus que é Amor, quer que sejamos Amor, em palavras e ações, também para o corrigir o irmão que erra. A fraternidade verdadeira ajuda o irmão a ser melhor. A correção fraterna é um sinal importante na vida da Igreja. E tudo é mais fácil se a correção se faz com a verdade, mas na caridade: “Então, por que não faríamos o mal para que dele venha o bem, expressão que os caluniadores, falsamente, nos atribuem? É justo que estes tais sejam condenados. E então? Avantajamo-nos a eles? De maneira alguma. Pois já demonstramos que judeus e gregos estão todos sob o domínio do pecado, como está escrito: Não há nenhum justo, não há sequer um.” (Rm 3,8-10).

Como agir com o irmão que errou? Ouçamos o que Jesus nos diz: “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligar¬des sobre a terra será também desligado no céu. Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, o conseguirão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mt 18,15-20). O Evangelho propõe um caminho em cinco passos:

Um encontro pessoal a sós com a pessoa, sem espalhar o erro para os outros. O Amor é mais importante do que a Verdade. A verdade nua e crua pode destruir a convivência entre as pessoas, pode destruí-la, arruinando a família, destruindo o casamento. Nem sempre convém dizer toda a verdade. A verdade que não tem amor não deve ser dita, pois provoca perturbações, gera discórdias, ódios e rancor. A mãe é exemplo: ela sabe esconder a atitude dos filhos para evitar confusões. Até mesmo o passado infiel do esposo convertido, pode atrapalhar a vida nova se for exposta. Calar evita muitas aflições! É bom aprender quando calar, quando falar e como falar.

Se a pessoa não ouvir, pedir ajuda de outros irmãos sensatos e sábios.
Se ainda não ouvir, levar até a comunidade quem errou para que veja o seu erro. Tudo isso deve ser guiado pelo amor. Roupa suja se lava em casa. Não se fala mal da família e da comunidade. Isso aumenta ressentimentos. Um fiel não fala mal da sua igreja, de seus irmãos e de seus ministros.

Se continuar no erro, a pessoa seja tratada como pagã. Não é a Igreja que exclui quem erra. Quem se põe fora da comunidade é a própria pessoa que recusa a correção para viver em comunhão.

Enfim, a oração sempre. A oração é possível se a correção não funcionar. Rezar antes, durante e depois, sempre em comum e em nome de Jesus.

Esta é a missão de profeta: anunciar e denunciar, corrigindo os erros dos irmãos, e guiando-os com caridade, além da tolerância e da paciência. Aceitar as correções justas que nos fazem é sinal de humildade e docilidade à Palavra de Deus que é a verdade que nos liberta e nos conduz à alegria do Amor.


Dom Antonio Emidio Vilar, SDB


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