A IGREJA É A VINHA DO SENHOR

A Igreja é a vinha do Senhor na qual Ele nos convida a trabalhar e Ele tem seus próprios critérios para o pagamento dos trabalhadores. O jeito de Deus é muito diferente do que imaginamos. Ele não pensa como nós, não julga pela quantidade, mas pela qualidade do serviço: “Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos” (qIs 55,6-9).

Escrevendo aos Filipenses, Paulo exorta os cristãos a trabalharem pela fé no Evangelho e testemunha Cristo como centro de sua vida: “Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida, quer pela minha morte. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir. Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo – o que seria imensamen¬te melhor; mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós. Cumpre, somente, que vos mostreis em vosso proceder dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco, quer permaneça ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, lutando unanimemente pela fé do Evangelho” (Fl 1,20-24.27).

Deus chama todos à Salvação, não importa o tempo na fé ou créditos pelo trabalho realizado, como nos ensina Jesus na parábola dos trabalhadores da vinha: “Com efeito, o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha. Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada. Disse-lhes ele: ‘Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário’. Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo. Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: ‘Por que estais todo o dia sem fazer nada?’ Eles responderam: ‘É porque ninguém nos contratou’. Disse-lhes ele, então: – Ide vós também para minha vinha. Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: ‘Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros’. Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário. Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário. Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo: ‘Os últimos só trabalharam uma hora… e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor’. O senhor, porém, observou a um deles: ‘Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom?’. Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos” (Mt 20,1-16).

Os escribas e fariseus murmuravam porque confiam em seus créditos. Deus não negocia nem contabiliza créditos para pagar conforme a produção. A Salvação é obra da graça de Deus, mais que nosso mérito. Deus é Pai de bondade e ama a todos igualmente. Ele sempre nos dá muito mais do que merecemos. Na parábola, Jesus vê os judeus como os primeiros chamados, povo escolhido, herdeiro das promessas. Mas eles criticam Jesus que acolhe os últimos, pecadores e publicanos, convidados agora para o banquete do Amor de Deus. O Reino de Deus é para todos: não há excluídos e indignos. Deus ama, dá a salvação a todas as pessoas e convida a todos para trabalhar na vinha. O que importa é se os convidados aceitam ou não trabalhar na sua vinha. Para Mateus que escreve para judeus cristãos convertidos, primeiros são os cristãos vindos do judaísmo e últimos são os não-judeus, todos os outros. Para Deus, não há judeus ou gregos, escravos ou livres, cristãos da primeira hora ou última hora. Não há graus de raça, classe social ou merecimento. Todos são filhos amados do Pai.

Hoje, Cristo nos convida: Ide também vós para a minha vinha! Muitos ouvem o chamado de Deus logo na infância, outros na juventude, outros como adultos e idosos. Não importa! Deus não olha o tempo, mas a atitude pronta e generosa da resposta. Ele não paga pela eficiência dos números e aparência, pois o que vale é o Amor, é o coração. O Amor de Deus que acolhe a todos e os recompensa, deve nos alegrar, e não provocar inveja ou ciúme, pois não somos merecedores de direitos ou privilégios. Se Deus para nós, parece injusto, para Ele números não contam. Só se entende a lógica de Deus com o olhar da Fé e do Amor que nos faz trabalhar para o seu Reino. E agir por Amor não é esperar elogio, salário, recompensa, pois Deus nos dá muito mais do que merecemos. Quem se sente dono da comunidade por estar há mais tempo ou ter feito mais do que outros, saiba que, para Jesus, idade, tempo de serviço e cargo não dão privilégios ou superioridade. Há funções diversas, mas todos são iguais em dignidade e devem ser acolhidos, amados e vistos igualmente. Na vinha do Senhor há lugar para todos. Cristo convida os desocupados o dia todo: Ide também vós para a minha vinha! Trabalho não falta. Cabe a nós responder ao chamado e ocupar nosso lugar na Igreja, que é a Vinha do Senhor.

 

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB