DEUS E CÉSAR

Bom cristão e honesto cidadão tem direitos e deveres. O imposto é um dos deveres e essa é a questão que põem a Jesus no Evangelho de hoje


Um rei pagão foi sinal de Deus para libertar seu povo da escravidão da Babilônia. Ciro, grande Rei da Pérsia, conquista os impérios do oriente. Conquista a Babilônia no ano 538 e deixa os judeus voltarem à própria terra, reconstruir o templo e sua cidade, Jerusalém. Isaías chama Ciro, rei pagão, de ungido do Senhor e instrumento de Deus mesmo sem o conhecer: “Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, que ele levou pela mão para derrubar as nações diante dele, para desatar o cinto dos reis, para abrir-lhe as portas, a fim de que nenhuma lhe fique fechada: É por amor de meu servo, Jacó, e de Israel que escolhi, que te chamei pelo teu nome, com títulos de honra, se bem que não me conhecesses. Eu sou o Senhor, sem rival, não existe outro Deus além de mim. Eu te cingi, quando ainda não me conhecias, a fim de que se saiba, do levante ao poente, que nada há fora de mim. Eu sou o Senhor, sem rival” (Is 45,1.4-6).

Deus é Senhor da História e conduz o seu Povo. Para realizar seus projetos, Deus usa até os pagãos honestos que promovem a paz e o bem. Isso é que Deus espera do político cristão: além da boa intenção, ser instrumento competente e atento às necessidades dos sofridos.

Na carta mais antiga de Paulo, vemos o Apóstolo dos Gentios louvando a Deus, pois a Comunidade abraçou com ardor o Evangelho e, pela ação do Espírito Santo, deu frutos de fé, amor e esperança: “Não cessamos de dar graças a Deus por todos vós, e de lembrar-vos em nossas orações. Com efeito, diante de Deus, nosso Pai, pensamos continuamente nas obras da vossa fé, nos sacrifícios da vossa caridade e na firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, nosso Pai. Sabemos, irmãos amados de Deus, que sois eleitos. O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação” (1Ts 1,2-5b).

No Evangelho de Mateus, fariseus e herodianos, ligados ao poder romano, fazem uma armadilha a Jesus: É permitido ou não pagar imposto a César? Se Ele diz sim, é a favor da dominação romana. Se diz não, é denunciado por subversão às autoridades. Diante disso, Jesus pede uma moeda e diz: De quem é a imagem? De César? Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus: A cada um se dá o que é seu (cf. Mt 22,34-40). Jesus paga impostos a César como dever para com a nação. Mas a César não se deve adorar! Só a Deus se deve adorar. César não pode se nivelar a Deus e exigir dos súditos o culto de Deus. Reconhecer a autoridade e os deveres civis, sim! Mas a autoridade de Deus está acima do poder, do dinheiro, da fama e do sucesso. Se estas coisas passam a dirigir suas vidas, Deus deixa de ser seu único Senhor. O perigo é alguém tirar o lugar de Deus e substituí-Lo por estas coisas!

Dar a César: nenhum país funciona se o povo não der a César o que é de César. O cristão é um cidadão tem o dever de contribuir para o bem comum e pagar impostos justos. Dar a Deus: o homem é imagem de Deus, tem dignidade e direitos de Povo de Deus e não pode ser vendido a nenhum César. Só Deus é o Senhor de nossa vida. Quem tira de Deus o que lhe pertence, deve devolver. Dar à Comunidade cristã: como membros vivos da Igreja, atuamos em sua Vida e Missão. O Dízimo é sinal de pertença, comunhão e participação. Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, é devolver o nosso tributo à Nação, a Deus e à Comunidade.

O mês das Missões promove a Coleta do Dia Mundial das Missões. O tema deste ano é Eis-me aqui, envia-me! (Is 6,8). Nesta crise mundial, Deus nos chama. A tempestade bate forte no barco frágil. Os discípulos gritam vamos perecer (cf. Mc 4,38). Nós estamos todos juntos nesse barco. Mesmo com medo, o Senhor chama a sair por amor de Deus e do próximo, para a partilha, o serviço e a intercessão. Só quem ama Jesus vivo na Igreja, pode dizer Eis-me aqui, Senhor, envia-me (cf. Is 6, 8), como Maria, pronta para servir à vontade de Deus (cf. Lc 1,38). Hoje, na pandemia, doença, medo, isolamento, abandono, com os sem emprego, casa e comida, o Senhor diz quem enviarei? Eis-me aqui, envia-me! (Is 6,8). Com a oração e a ajuda material das coletas do Dia Mundial das Missões apoiamos o trabalho missionário.

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB


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