DISTINÇÃO ENTRE BEM COMUM E BEM-ESTAR NA PANDEMIA

Olá amigos e irmãos!
Eu gostaria de comentar com vocês sobre a distinção entre bem comum e bem-estar. Algumas vezes nós vimos, ao longo deste ano de 2020, que as pessoas ficaram mais preocupadas com seu bem-estar do que em tomar atitudes que visem o bem comum.

O bem comum diz respeito a todos, o bem-estar só a algumas pessoas. O bem-estar diz respeito ao que eu vou ganhar, o que eu vou ter, se o meu dinheiro vai dar, se vai ser suficiente. O bem comum significa que eu vou viver e conviver com os meus irmãos e partilhar a sua realidade.

Durante a pandemia, muitas pessoas estavam preocupadas com o ganho da sua vida, o seu salário, seu dinheiro. Enquanto alguns diziam que era interessante ficarmos em casa, os outros diziam que o país não podia parar e, chegamos a essa marca de mais de 154 mil mortos pelo coronavírus. Surge assim umas interrogações: Por que nós queremos ganhar? E por que ainda hoje pessoas estão preocupadas consigo? “Ah! Eu não gosto da máscara”. “Eu não uso máscara. Para que isso?” Quando as pessoas estão alimentando o seu egoísmo, elas estão pensando no seu bem-estar. O bem-estar é você vivendo confortavelmente na sua vidinha, na sua casinha, fazendo o que você gosta, não se preocupando se o outro está sofrendo. A Igreja pensa que nós formamos o Corpo de Cristo. O Compêndio do Pensamento Social da Igreja diz que não é possível amar o próximo sem sentir a dor que o próximo sente. Então, muitas pessoas até rezam, vão a missa, fazem novenas mas são profundamente egoístas. Tem gente muito religiosa e muito egocêntrica, narcisista, porque não pode ser questionada, não pode ser perguntada, não pode ter o seu pensamento questionado. Isso é um perigo, porque às vezes nós precisamos sim saber se amamos Jesus, servindo aos irmãos. Quando você diz que ama a Deus, é preciso saber se você também está disposto a amar e a servir seu irmão.

Sentir compaixão é pensar no bem que todo mundo pode realizar e viver. Amar o irmão, servir ao irmão, significa também que nós, fazendo parte uns dos outros, sentimos a mesma dor. Então não podemos ficar indiferentes aos que morreram vítimas de coronavírus. Não podemos achar que isso vai passar e não vai ficar uma marca grande nesse país de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Brasil, a Terra de Santa Cruz, com essa falta de responsabilidade daqueles que deviam nos governar com sabedoria. Por isso, rezamos pelas autoridades, a Igreja reza pelas autoridades, a Igreja nunca foi contra os governos, a Igreja sempre é a favor da vida.

Eu relembro aqui a história lá do Estado do Espírito Santo, que no passado já teve outra tragédia, você pode pesquisar aí. O caso da menina Araceli, só para concluir o pensamento de hoje sobre o bem comum. Na Baixada Fluminense uns anos atrás, uma menina também ficou grávida. E a imprensa bateu muito na pastoral familiar, no bispo e, o bispo de Volta Redonda, Barra do Piraí disse: “A criança nasce, a Igreja cuida.” Então, quando a Igreja pensa no bem comum, esse bem comum é o bem da vida dos filhos e filhas de Deus. A vida humana precisa ser tratada com responsabilidade. Não podemos usar os pobres como bandeira política, nem fazer deles um escudo para nos esconder. É preciso que nós amemos aqueles que o Cristo amou de modo preferencial e, os sirvamos com carinho extremo e total. Vamos caminhar juntos, sejamos Igreja, semeemos o amor para colher alegria, verdade, vida e solidariedade.


Pe. João Paulo Ferreira Ielo
Paróquia Imaculada Conceição (Mogi Guaçu-SP)


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