SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Nesse final de semana celebramos todos os Santos, conhecidos ou não. Eles provam que a santidade é possível. É vocação de todos! Diz a 1Ts. 4,3: “Esta é a vontade de Deus a vossa Santificação”. Nossa Diocese já tem o Padre Donizetti declarado beato, três servos de Deus na fila e, para nossa felicidade, nessa semana, dia 28 de outubro, o Papa Francisco declarou “Venerável” nosso querido Ir. Roberto Giovanni, estigmatino que viveu a maior parte de sua vida em Casa Branca-SP.

No livro do Apocalipse, temos a visão do nosso futuro. A vitória do Cordeiro transformou a morte em vida para todos os que o seguem. São numerosos e já participam do seu triunfo, na festa eterna: “Vi ainda outro anjo subir do Oriente; trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo: ‘Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes’. Ouvi então o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: ‘A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro’. E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: ‘Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém’. Então, um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: ‘Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?’. Respondi-lhe: ‘Meu Senhor, tu o sabes’. E ele me disse: ‘Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro’” (Ap 7,2-4.9-14).

O Apóstolo João, em sua primeira carta, recorda que a fé em Cristo nos fez nascer e viver no Amor de Deus e dos irmãos: “Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus; e todo o que ama aquele que o gerou, ama também aquele que dele foi gerado. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5,1-3). No Evangelho de Mateus, Cristo mostra o caminho da santidade, as Bem-aventuranças: os que tem coração de pobre, os que choram a dor alheia, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os construtores da paz, os puros de coração, os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5,1-12a). Entre os santos há uma multidão (144 mil:12x12x1000): são parentes e amigos, adultos e crianças. A multidão cresce sem parar. A cada dia chega novos eleitos, felizes, pois descansam de suas lutas e suores, sonhos e realizações.

Os Santos não são estranhos para nós! São gente como nós: na terra tem limites, lutas e vitórias, vivem o evangelho e servem os irmãos; no céu, continuam a servir, pela intercessão. E nós somos chamados a viver assim desde agora. Diz a Bíblia que só Deus é santo e Jesus revela a Santidade de Deus, dá o Espírito Santo Santificador. A Igreja primitiva chamada de santos todos os batizados. O Concílio Vaticano II diz que os cristãos, de qualquer condição e estado, são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai. Todos os cristãos são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Ser santo não é privilégio dos que são declarados pela Igreja e honrados nos altares. Santo é aquele que ontem e hoje vive as Bem-aventuranças do Evangelho. Neles celebramos a santidade de Deus, pois ela resplandece nos membros de seu povo, nos filhos da Igreja. Nós cremos na comunhão dos santos: comunhão espiritual de bens da Igreja peregrina, militante ou terrestre, da Igreja celeste ou triunfante e da Igreja padecente ou purificante. A Igreja peregrina se alegra com a Igreja triunfante, diz o prefácio da missa de hoje: “Festejamos hoje a cidade do céu, onde nossos irmãos, os santos, vos cercam e cantam eternamente o vosso louvor”.

O culto e devoção aos Santos atinge o povo da antiga aliança, dos patriarcas e profetas, que nos deixaram a herança das promessas messiânicas. E a Igreja, novo povo de Deus, está unida a Jesus Cristo, com a Virgem Maria, os apóstolos, e santos mártires e confessores. O culto e devoção não tem nada de mágico ou supersticioso, pois é culto e louvor a Deus, pois sua glória resplandece nos santos. Assim eles são para nós modelos e intercessores. A Santidade é possível e querida por Deus. Esta é a nossa vocação. É dom do Pai, é apelo de Jesus e tem o selo do Espírito Santo que nos faz santos. Sejamos santos, como o Pai é santo!


Dom Antonio Emidio Vilar, SDB


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