DE LÂMPADAS ACESAS

O fim do ano litúrgico fala do fim da vida e do mundo. A liturgia nos pede para vigiar, pois o Senhor já vem. Quem busca a sabedoria está seguro, pois ela é luz para os seus caminhos e para cada projeto. Meditar sobre ela é a perfeição do bom senso e da prudência: “Resplandecente é a sabedoria, e sua beleza é inalterável: os que a amam, descobrem-na facilmente. Os que a procuram encontram-na. Ela antecipa-se aos que a desejam. Quem, para possuí-la, levanta-se de madrugada não terá trabalho, porque a encontrará sentada à sua porta. Fazê-la objeto de seus pensamentos é a prudência perfeita, e quem por ela vigia, em breve não terá mais cuidado. Ela mesma vai à procura dos que são dignos dela; ela lhes aparece nos caminhos cheia de benevolência, e vai ao encontro deles em todos os seus pensamentos” (Sb 6,12-16). Na Bíblia, Cristo é a plenitude da sabedoria.

Aos tessalonicenses, Paulo fala que a nossa vida terrena não termina no vazio, mas em Cristo que vem para concluir a história. Em nossa morte, estaremos para sempre com o Senhor que nos recebe nas núpcias eternas: “Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram. Eis o que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: por ocasião da vinda do Senhor, nós que ficamos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Se¬nhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1Ts 4,13-18).

No evangelho de Mateus, Jesus fala das últimas realidades e usa a figura das núpcias entre Deus e o homem, no sermão escatológico. O Filho de Deus ao encarnar-se, desposou a humanidade, e na Cruz consumou suas núpcias, remiu os homens e os ligou a si, reunindo-os na Igreja, sua mística esposa. Na parábola das virgens, na espera do esposo é preciso abastecer a lâmpada da fé com o óleo das boas obras: “Então, o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do esposo. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. Tomando suas lâmpadas, as imprudentes não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas. Tardando o esposo, cochilaram todas e adormeceram. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: Eis o esposo, ide-lhe ao encontro. E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas. As imprudentes disseram às prudentes: Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando. As prudentes responderam: Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprar para vós. Ora, enquanto foram comprar, veio o esposo. As que estavam preparadas entraram com ele para a sala das bodas e foi fechada a porta. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: Se¬nhor, senhor, abre-nos! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo: não vos conheço! Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora” (Mt 25,1-13).

As Virgens prudentes, preparadas e atentas, são o cristão que acende a chama da fé no batismo e a alimenta com a ração, os Sacramentos, a Palavra de Deus, e continua fiel a Deus, sempre atento às vindas do Cristo no dia a dia. As Virgens imprudentes, acomodadas, esperam que alguém faça por elas na “hora h”. Elas são o cristão despreocupado: no Batismo, recebeu o dom da fé, mas não a alimenta na oração e na reflexão, nem assume serviço pastoral. Quantas vezes Cristo vem até ele, mas, distraído, ele não o reconhece, nem se importa. A ele Cristo fecha a porta e diz: Eu não vos conheço! E a Parábola conclui: portanto ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora!

A vida cristã chama à vigilância e pede fidelidade nupcial a Cristo, um amor que não dorme. A vida cristã é a vigilante espera do esposo, com o óleo que abastece a lâmpada da fé com as obras. Quem recebe o Senhor com a lâmpada acesa, entra no banquete. Vigiar é cuidar, alimentar a chama com sobra. Não basta o mínimo, pois, se faltar o óleo, a lâmpada se apaga, a comunidade para, não anda, e acaba a festa. Vigiar é estar atento aos sinais de Deus, é reconhecer o seu rosto e sua voz no pobre, no doente, no marginalizado, em quem anuncia a Paz, em quem clama por justiça e amor, por respeito e dignidade.

Vigiar é amar! Quem ama vigia e espera, mesmo se o noivo demora. Sim! O esposo não virá só uma vez no fim do mundo! É preciso esperá-lo todos os dias. E quem vigia, não se preocupa, mas vive cheio de esperança. O Senhor está sempre conosco. Mas, há momentos especiais de sua visita, de encontros mais fortes, e, é claro, da sua última vinda, no fim dos tempos. Cristo continua a nos dizer: Vigiai, pois não sabeis o dia, nem a hora! Que a luz da fé alimente com sobra o amor do coração, para vivermos a festa das núpcias, e, guiados pela sabedoria, possamos viver a esperança cristã, com otimismo e alegria.


Dom Antonio Emidio Vilar, SDB


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