DOM VILAR: O Jubileu de Diamante da Diocese nos propõe Memória, Celebração e Compromisso

Nesta Missa do Jubileu de Diamante de nossa Diocese ouvimos o Evangelho em que o Bom Pastor indaga Pedro, e hoje indaga a Diocese, sobre o Amor que temos para apascentar, cuidar e para dar a vida pelas ovelhas. O Jubileu nos propõe três coisas: Memória, Celebração e Compromisso. É um convite a fazer Memória de nossa Vocação, a Celebrar o Amor de Deus que faz novas todas as coisas, e renovar nosso Compromisso Missionário. E este diálogo de Jesus e Pedro, após a Ressurreição, que ouvimos no Evangelho, é uma luz para estes três momentos:

  1. Memória: o chamado de Pedro vem do seu irmão André que lhe anuncia: Encontramos o Messias! Neste encontro, Jesus olha para Pedro e diz: Tu és Simão, o filho de João. Chamar-te-ás Cefas. Jesus chama Simão e lhe dá o nome novo da missão de Pedra da Igreja.
  2. Celebração: celebrar é viver a presença e ação de Cristo na Igreja. Se na paixão, Pedro nega Jesus três vezes e muda sua alegria em tristeza, após a Ressurreição, Jesus muda o coração de Pedro para a alegria do Amor. Jesus confirma o amor de Pedro ao lhe perguntar três vezes: Amas-me? Na terceira vez, Pedro fica triste e diz: Mas, Senhor, tu sabes tudo. Tu sabes que eu te amo. Jesus lhe dá a missão: Apascenta as minhas ovelhas!
  3. Missão: com a Missão recebida, Jesus pede a Pedro e à Diocese um amor pessoal a Ele que se dá na doação pastoral. Jesus não promete trono nem reinado, mas quer que o sigamos até a Cruz com o dom de nossa vida, no anúncio da boa nova da salvação: apascentando a todos os que precisam.

É isso que o nosso Jubileu nos diz. Nestes 60 anos, Jesus olha para nós com amor, chama-nos pelo nome, purifica, renova o nosso coração e nos envia em missão. É Cristo que nos faz Igreja Particular, a Diocese de São João da Boa Vista. A própria Bula de Criação da Diocese In similitudinem Christi o confirma: “Na semelhança de Cristo, Salvador dos homens que, para comunicar os bens da salvação eterna percorreu as aldeias e as cidades de sua pátria, assim a santa Igreja desce continuamente até às necessidades dos homens com a finalidade de que gozem de uma maior abundância da Palavra de Deus e se alegrem com os mais íntimos vínculos de comum vida com Deus.”

A Diocese é chamada a sair e a anunciar Cristo no encontro com o pobre. O próprio Cristo atesta que o Espírito do Senhor o ungiu e o enviar a anunciar a boa nova aos pobres. Assim, a Diocese, seguindo Cristo, tem se renovado em comunicar este amor, apascentar, cuidar e em dar a vida, por meio da resposta dos bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, cada um com o seu dom. Aconteceu com a Diocese o que ouvimos nos Atos dos Apóstolos: eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Cheios do temor do Senhor, realizavam prodígios e sinais por todos os que abraçavam a fé, unidos pondo tudo em comum.

De fato, nossa Igreja Particular nasceu em 1960, guiada e animada pelo Concílio Vaticano II, o Pentecostes dos nossos tempos, que propôs um olhar às fontes do Evangelho e outro olhar aos sinais dos tempos. Seguindo suas diretrizes, a Igreja abriu-se ao Diálogo com a Sociedade através das Pastorais e deu vida a novas linguagens e expressões eclesiais, como os Movimentos, as Novas Comunidades… Assim, o ideal da vida cristã tem guiado a nossa Diocese. E a expressão mais forte destes frutos colhidos, são os nossos santos: assim foi Dom Tomás Vaquero, o Apóstolo das Vocações, que cumpriu o que a Bula diz no final: Mandamos que o bispo, quanto antes, funde o Seminário. Dom Tomás nos deixa o legado da cultura vocacional e do ardor pastoral suscitado pelo Concílio Vaticano II.

Assim foi o Bem-aventurado Donizetti, de Tambaú, o Apóstolo da Acolhida, que acolheu e cuidou do povo sofrido, sanou suas feridas, educou e orientou para a vida.

Assim foi o Servo de Deus Ir. Roberto, estigmatino, de Casa Branca, no serviço humilde dos pobres e doentes, em sua alegria e serenidade que acolheu, ouviu e aconselhou tanta gente. Assim foi o Padre Matheus, assuncionista, de Espírito Santo do Pinhal, que viveu o que rezava: Criado para amar e ser amado, quero realizar minha vocação de amor, consagrando a Deus todo amor que posso dar e receber. A convite de Cristo, deposito minha confiança no Pai e dou tudo aquilo que sou e tudo o que tenho a serviço dos outros.

Assim foi Lurdinha Fontão, de São José do Rio Pardo, mulher forte, exemplo de leiga, esposa, mãe, catequista, ministra, unindo vida de oração e doação sem medida, e conciliando um leque imenso de atividades a serviço da Igreja, simples, prática e mariana.

Por isso, hoje, pelas maravilhas que Senhor fez, elevamos nosso hino de louvor, dizendo: Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. Nesse Jubileu, ao fazer Memória do Dom recebido ao Celebrar a Presença de Cristo vivo em nós; e Renovar nosso Compromisso Missionário de levar Cristo a todos, invocamos São João Batista, nosso padroeiro: que ele nos inspire para que a bondade de Deus brilhe sobre nós no caminho da Paz.

Enfim, hoje, renovamos a consagração de nossa Diocese ao Coração de Maria: “És, ó Mãe cheia de graça, serva pobre e disponível, abendita do Senhor, silêncio que acolheu do Pai o Verbo, a voz. Que o teu ‘assim se faça’, encarnando o impossível nos abra ao amor e à terra traga o céu. Maria, Roga a Deus por nós! (Ir. Miriam Kolling).


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