NATAL DO SENHOR: uma Luz

A liturgia da noite de Natal celebra o amor de Deus por nós que nos dá o seu Filho! Nas trevas da noite brilha para nós a Luz dos Povos. Perdidos e abandonados em meio ao sofrimento e à morte, um sinal de um menino nos é dado para a vida e a liberdade.

O profeta Isaías (cf. Is 9,1-6) anuncia a chegada de um menino descendente de Davi que inaugura a era da alegria, da felicidade e da paz sem fim. No seu tempo (732 a.C), a população da Galileia (Zabulon e Naftali) andava nas trevas da morte, sob a opressão e a violência do império assírio. E aí surge uma Luz: um Menino enviado por Deus para restaurar o trono de Davi e estabelecer a paz, o direito e a justiça. Essa promessa alimentou o sonho de um futuro novo de paz e felicidade. Isaías anuncia a Luz que é Jesus. Ele veio vencer as trevas da morte. A Galileia oprimida é a humanidade. Aquele em quem se deve pôr a esperança é o Salvador de todos.

Na noite de Natal este Reino chegou. Mas, para que este Reino seja realidade viva para nós, no Natal, é preciso acolher Jesus aceitando o projeto de paz e de justiça que Ele nos traz. É preciso pôr em Jesus nossa esperança e nossa paz, mais que em promessas de políticos, no dinheiro ou no sucesso de projetos, coisas que passam e não satisfazem. Esse é o jeito de Deus. Um menino é Luz e Paz. O jeito de Deus não é da força e do poder em agir na história e mudar o mundo. Um menino nos é dado: é o símbolo da fragilidade e da dependência que Deus nos propõe. Deus age na simplicidade e humildade.

Na carta a Tito (cf. Tt 2,1-14), Paulo fala que viver uma vida cristã autêntica e comprometida significa deixar esta Luz se manifestar. A vida nova recebida no Natal deve manifestar-se em nossa vida cristã.

Lucas, no evangelho da noite de Natal (cf. Lc 2,1-14), narra a realização da promessa tão esperada: o Sinal é um menino recém-nascido em Belém, envolto em faixas e deitado em uma manjedoura. Belém aponta para Jesus, o Messias, da descendência de Davi, anunciado pelos profetas. Belém é um lugar pequeno e afastado dos grandes centros. O presépio fala de pobreza. O Salvador vem ao mundo pobre: falta lugar na hospedaria, o berço é cocho de animais, em panos improvisados, com a visita de humildes pastores. Os Pastores eram gente marginalizada como os publicanos e os cobradores de impostos. Isso mostra Jesus vem como o Salvador, a boa notícia para pobres, fracos e pecadores: os novos convidados da comunidade dos filhos amados de Deus. Os títulos usados pelos anjos, definem o papel e a Missão de Jesus: Salvador, Cristo e Senhor. Por fim, o Prefácio da missa proclama a alegre ação de graças ao Pai: “Quando o vosso Filho se fez homem, nova Luz da vossa glória brilhou para nós, para que, vendo a Deus com nossos olhos, aprendêssemos a amar n’Ele a divindade que não vemos. Esta é a Luz para a nossa vida!”

Jesus nasce na pobreza, fora de casa, sem um berço bem quentinho, vive seus anos na pobreza, no trabalho de suas mãos e dá a vida por nós porque nos ama. Esta é a Boa Nova que anunciamos: Cristo nasceu para nós! Ele é nossa alegria e nossa Paz.

Dom Antonio Emidio Vilar, SDB


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