FÉ, INTELIGÊNCIA E VACINAS

Este ano se iniciou trazendo junto aquela impressão de que o ano passado ainda não havia terminado; o fardo da pandemia deixou a luz do fim do túnel mais longe de se ver e os “profetas do fim do mundo” deitam e rolam em cima das preocupações e medos que as pessoas carregam consigo. E para deleite dos amantes da tragédia, há os mal educados que não consideram ninguém e por isso não levam em consideração as medidas sanitárias para conter o vírus matador e disseminam o tal aumentando casos e mortes.

Ano novo começou com problema velho. Algumas vezes me parece que estamos em um labirinto de onde não conseguimos sair; quando surge uma possibilidade, logo vem o “balde de água fria” dos que não querem enxergar a situação, que abrem mão da inteligência e escolhem a cegueira como modo de viver. Primeiro negam que exista a doença; depois não admitem que os milhares de mortos tenham morrido de covid; buscam solução rápida ditando nome de remédio sem eficácia; debocham do sofrimento dos doentes, dos que tentam salvar vidas e dos profissionais da saúde. E quando começam aparecer as vacinas, disputam quem vai aparecer primeiro na foto… Quanta desumanidade.

No livro do Gênesis, vemos o maravilhoso relato da criação, a alegria de Deus ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança; homem e mulher dotados de inteligência, liberdade e vontade para crescer e dominar a terra, estabelecendo uma lei de fraternidade e bondade no relacionamento mútuo. Entretanto, as seduções distanciam as pessoas do bem e da verdade, caem no engano e o justificam com argumentos estapafúrdios. Partem para acusação procurando culpados:- “a mulher me ofereceu…”; a mulher põe a culpa na cobra com aquela famosa frase que virou marchinha de carnaval: -“a serpente me enganou…” e os amigos da serpente continuam hoje a enganar, mentir e matar quando deixam de trabalhar a favor da vida.

A fé nos leva a buscar a Deus nosso Pai, n’Ele colocar nossa esperança para que iluminada a nossa inteligência, tomemos as melhores atitudes para ajudar a preservar a vida nossa e de nossos semelhantes que são irmãos e irmãs nossos. Fé sem inteligência torna-se fanatismo que é irracional, manipulável e tremendamente mau. Esse tipo só favorece o ambiente terrorista e cria pânico semelhante ao comportamento de Nero que dedilhava sua cítara enquanto Roma ardia. Não é cristão quem desdenha da dor, do sofrimento e da tristeza dos seus irmãos. Não é cristão quem não ajuda a diminuir o sofrimento dos seus semelhantes.

Se a fé ilumina a nossa vida, a verdade e o amor andam juntos daqueles que seguem ao Evangelho de Cristo, que enxergam o bem e se dispõem a realizá-lo. Encontrei o relato de um pesquisador que se levanta de madrugada para rezar, aproveita o silêncio da madrugada para ouvir Deus lhe falar, confronta sua ciência com a sua fé e segue o caminho do amor e do serviço. Admirável esse fato! E admiráveis são tantos que se desgastam para encontrar um modo de frear a violência desse vírus.

Com a chegada das vacinas, não podemos nos descuidar das práticas vividas até agora. Às vezes vejo pessoas que se comportam como homens bomba e não usam a máscara, não higienizam as mãos e dizem que não se vacinarão e, tal qual um homem bomba explodirão o vírus por onde passarem. Não se vacinar, negar a eficácia das vacinas é, no mínimo, “falta de inteligência”.

Os Evangelhos também nos dizem que o “menino Jesus crescia em sabedoria, idade e graça”. Crescia em idade, estatura, vigor físico; em sabedoria, sempre iluminado e iluminando o mundo com o Espírito Santo que conduz e ilumina a inteligência humana e crescia também na Graça de Deus ensinando a praticar, viver e fazer acontecer somente o bem, como fez o samaritano ao cuidar do homem caído na beira da estrada.

Pe. João Paulo Ferreira Ielo
Paróquia Imaculada Conceição (Mogi Guaçu-SP)


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